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O dia 10.10.10, para além do seu implícito significado geek, marca também o lançamento da mais recente versão do Ubuntu, o 10.10 Maverick Meerkat. Esta é a décima terceira “encarnação” do Ubuntu no desktop, mas será que para o Maverick isso será um mau presságio? Tendo em conta a ausência de um supersticioso na minha personalidade e *meses* a utilizar esta versão, a resposta curta é: não. Aliás, este é o melhor Ubuntu de sempre.

Esta versão foi anunciada há meses por Mark Shuttleworth. No seu post, utilizava 3 objectivos principais para descrever a sua visão acerca do Maverick Meerkat: light, fast and social. Será este “o suricata” mesmo assim? A ver vamos. Primeiro, alguns detalhes mais técnicos:

“Debaixo do capôt”

  • Linux Kernel 2.6.35-22.23;
  • GCC 4.4.4;
  • X.org server 7.5;
  • GNOME 2.32;
  • OpenOffice 3.2.1;
  • Firefox 3.6.10;

Aparência

Temas

Este é sem dúvida um dos grandes selling points do novo Maverick Meerkat. Com a inclusão dos novos Ambiance e Radiance (temas), novos wallpapers e uma nova fonte, o aspecto final do Ubuntu 10.10 é simplesmente soberbo. Simplesmente soberbo.

Os novos tema foram criados pela equipa de Design da Canonical e são na verdade uma evolução dos temas homónimos apresentados no Ubuntu 10.04. Estes novos temas são verdadeiramente light, temas a que facilmente nos adaptamos, temas com um bom contraste, harmonia de cores, uma incrível atenção ao detalhe e que permitem facilmente distinguir qualquer elemento da interface. Temas visualmente distintivos e atractivos, mas simultaneamente sublimes o suficiente para não criarem “choque visual” e atrapalharem na utilização do sistema. Light.

Oferecem um aspecto consistente, elegante e profissional ao ambiente de trabalho Ubuntu. É sem dúvida a mais elegante distribuição Linux out-of-the-box e facilmente se compara ao Windows 7 ou ao Mac OS, embora todos estes três SO’s sigam filosofias de design diferentes. Sou utilizador de Linux há cerca de 2 anos, e duas coisas posso afirmar: já utilizei centenas de temas, e existem muito poucos novos temas/fantásticos temas de que não tenha ouvido falar/experimentado. Desde que foi apresentada a primeira versão pública dos novos light-themes, isto há cerca de 2 meses, utilizei, ininterruptamente, os temas Ambiance e Radiance. Isto é inédito na medida em que nunca tinha utilizado um tema por tanto tempo e nunca tinha utilizado os temas que acompanham o Ubuntu por mais de… 30s. Acho que a partir daqui se denota claramente a qualidade deste temas.

Nova fonte ‘Ubuntu’

Este é um trabalho iniciado há largos meses, ainda antes do lançamento do Ubuntu 10.04 Lucid Lynx. Com o rebranding do Ubuntu, o logo da distribuição sofreu também uma actualização, incluindo uma nova fonte. Essa fonte, desenvolvida em harmoniosa parceria com a mundialmente conhecida Dalton Maag, evoluiu para se tornar a fonte por omissão no próprio Ubuntu e na maioria dos sites relacionados com Ubuntu/Canonical.

De nome Ubuntu, ainda não está finalizada, mas actualmente contém glifos de Latim A+B, Grego Politónico e Círilico Extendido, todos estes disponíveis em estilo Regular, Itálico, Negrito ou Negrito Itálico. Para o Ubuntu 11.04 Natty Narwhal, espera-se que o suporte seja extendido a Árabe, Hebreu, alguns símbolos matemáticos e quaisquer outro conjunto de glifos/linguagens onde o Ubuntu seja utilizado. Esta expansão da fonte contará com a ajuda indispensável de membros da comunidade, conforme o repto de Mark Shuttleworth no seu blog, de modo a que a fonte expresse a identidade multi-cultural do Ubuntu e passe a suportar toda e qualquer linguagem/dialecto em que o Ubuntu é usado. Também no plano para a próxima versão está a criação de uma versão de largura fixa, Monospace para ser utilizada, por exemplo, no Terminal ou em ambientes de programação. Este é um projecto de dimensões épicas e pioneiro no mundo do open-source, já que a Canonical comprou todos os direitos sobre a fonte e distribuí-la-á sob uma licença open-source, de modo a que webdesigners, designers, artistas gráficos ou simples utilizadores de todo o Mundo ou de qualquer SO possam utilizá-la, bastando para sso o download através de font.ubuntu.com. É também de louvar a intrínseca parceria Canonical/Dalton Maag, que permitiu a toda a comunidade acompanhar o desenvolvimento da fonte através do blog design.canonical.com, com posts de designers da Dalton Maag, assim como a presença de Bruno Maag, fundador da Dalton Maag, na última UDS (Ubuntu Developer Summit), em que apresentou em detalhe esta nova fonte.

Quanto à fonte e à sua aparência no ambiente de trabalho, inicialmente confesso que fiquei deveras céptico sobre a possibilidade de a fonte utilizada no logótipo ser utilizada com igual sucesso no ambiente de trabalho. O que é certo é que o meu cepticismo se dissipou e depois de utilizar a fonte há vários meses confesso que estou rendido. É excelente em tamanhos enormes, mas também escala muito bem e continua a manter o seu aspecto moderno,distintivo e legível quanto utilizada em tamanhos 9/10/11 no ambiente de trabalho, além de se integrar na perfeição com os novos temas. E tenho a adicionar que, mesmo imprimida,a fonte é incrível. Encaixa perfeitamente na nova filosofia do Ubuntu, e é sem dúvida um dos grandes melhoramentos desta versão 10.10.

Wallpapers

Aqui de novo é visível a crescente preocupação com o design e o detalhe na comunidade Ubuntu. O wallpaper por omissão está na mesma linha daquele apresentado na versão 10.04, em tons de púrpura com um glow light ao centro, e neste novo wallpaper é notória alguma textura e um leve efeito arco-íris, que dá um outro dinamismo e distingue este wallpaper. Não posso dizer que seja o meu preferido, mas tenho a admitir que é uma melhoria em relação ao Lucid Lynx, e que combina bastante bem com o restante estilo do Ubuntu. Além disso, ao manter-se na mesma base do wallpaper anterior, ajuda a criar uma imagem de marca que permite o fácil reconhecimento do Ubuntu. É suave, elegante e não-intrusivo. É claramente Ubuntu.

Além deste wallpaper, estão incluídos 17 outros wallpapers, da autoria de membros da comunidade, e cuidadosamente escolhidos pela equipa de Design, a partir das imensas submissões do grupo especialmente criado . Estes 17 wallpapers são por si só pequenas obras de arte. Finalmente é legítimo dizer isto, já que a escolha efectuada no Lucid Lynx foi infelizmente bastante pobre. Temos excelentes fotografias, maioritariamente com motivos naturais misteriosos ou convidativas paisagens de excelente qualidade/resolução, e que permitem obter um desktop ainda mais elegante sem a necessidade de se revirar a Internet à procura de um fantástico wallpaper, já que muito provavelmente ele se encontra mesmo ali, já instalado no seu sistema.

De todos os incluídos, a minha escolha recai sobre…todos. E uso literalmente todos, graças à opção incluída de podermos escolher um wallpaper dinâmico que alterna entre cada uma destas 17 imagens a cada 30min. É uma excelente maneira de apreciar a qualidade das imagens e de dar alguma “vida” ao seu ambiente de trabalho.

Novo Instalador

Outra das grandes mudanças nesta nova versão é o novo instalador. Antes de me alongar mais, apenas a minha opinião pessoal acerca do novo instalador:  é uma das mais brilhantes peças de software que alguma vez usei. O instalador recebeu todo o tipo de mudanças estruturais, organizacionais e interaccionais que o tornam no melhor instalador quer em Linux, quer em Windows, sendo que se equipara ao do Mac OS, mas mesmo assim acaba por ser mais rápido do que este.A instalação, dependendo se o sistema live está a correr a partir de uma pen usb ou de um CD, durará, em computadores relativamente recentes, qualquer coisa como 5 ou 15min, respectivamente.

O novo instalador é muito mais amigável para com o utilizador comum, torna-o ainda mais rápido, completo e eficaz, simplificando bastante aquela que é normalmente uma das grandes barreiras de entrada no mundo Linux, a instalação. É com imensa satisfação e alguma nostalgia que digo que a instalação dp Maverick Meerkat faz parecer a minha primeira insstalação do Ubuntu, na altura da versão 8.10 Intrepid Ibex, algo verdadeiramente medieval ;) .

Uma das grandes novidades é a reorganização das várias partes da instalação. Agora, e por motivos de poupança de tempo, depois do arranque do Live CD, somos presenteados com o ecrã inicial do Ubuntu, que nos permite escolher entre Instalar o Ubuntu ou Experimentar o Ubuntu.

Se escolhermos Instalar directamente o Ubuntu, avançamos para uma janela onde é possível configurar o instalador de modo a que faça o download de eventuais actualizações existentes e instale também alguns pacotes essenciais, como o Flash,  suporte a .mp3 e suporte básicos a ficheiros comprimidos. Além disso o instalador detecta agora se estamos ligados à internet, à corrente eléctrica e se temos o espaço mínimo necessário para a instalação do Ubuntu.

De seguida, somos imediatamente encaminhados para a secção de particionamento. Temos os habituais Instalar juntamente com outro sistema operativo, Apagar e utilizar o disco inteiro e ainda a opção de particionamento avançado. É de notar que agora o particionamento, normalmente “assustador” para o utilizador recém-chegado ao Ubuntu, se tornou bastante mais simples, devido não só às mudanças estruturais como em termos de aparência introduzidas nesta versão. Temos agora uma atractiva e expressiva forma de se dividirem partições e de se configurar um sistema dual-boot. Simplicíssimo, e em todos os casos, a ferramente de particionamento avançado continua a estar disponivel e facilmente alcançável:

E aqui começa a magia. Enquanto o sistema está a formatar partições, copiar ficheiros, transferir e instalar actualizações, efectuar as configurações necessárias, o utilizador é convidado a terminar a parte mais rotineira da instalação: definir a sua localização (agora basta inserir o nome da localidade onde vive, já que os dados relativos ao fuso horário são de seguida transferidos da Internet, através do serviço geonames.org) e tipo de teclado:

Assim como o seu nome de utilizador, nome do computador, password e opções de início de sessão e encriptação da pasta pessoal. Tudo isto acontece simultaneamente à instalação propriamente dita do sistema. Genial? Sim, bastante ;)

Depois de preenchidos estes dados, somos presenteados com a já habitual apresentação de dispositivos com as novas funcionalidades desta versão do Ubuntu. Nesta versão 10.10, e por questões de consistência e familiarização por parte dos utilizadores, o slideshow é exactamente o mesmo presente no tour online do sistema.

Terminada a instalação (não durou mais de 15min para mim, através de uma imagem .iso numa máquina virtual), basta reiniciar o sistema, sacudir aquela ponta de saudade que vai ter relativamente ao novo instalador e começar a explorar….

Avançar para a página 2 – O ambiente de trabalho e as aplicações

Este artigo foi escrito por em 15 Out, 2010, e está arquivado em Análises, Software. Siga quaisquer respostas a este artigo através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta ou fazer um trackback do seu próprio site.

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16 comentários em “Análise: Ubuntu 10.10 Maverick Meerkat – onde se prova que o 13 continua a ser superstição”
  1. Alberto Gonçalves diz:

    Os meus parabéns pelo artigo, deveras completo.
    Não é todos os dias que se encontra um artigo assim em Português.

    Continua com o bom trabalho. :)

  2. parabéns ao nosso MESTRE que em apenas 2 anos já me ensinou tanto sobre o mundo Linux!

    BOM TRABALHO!

  3. Bem tive problema na ultima versão ao instalar num laptop com a placa de vídeo sis , tive um certo trabalho para configurar na mão,tomara que essa versão não ocorra esses pequenos problema

    http://securityofficer.wordpress.com/

  4. Parabéns pelo artigo! Não podia estar mais completo!
    Muito bem explicado em português acessível a todos. Uma referência!

  5. Excelente trabalho Daniel ;) Ficou 5 estrelas a análise, muito completa.

    Gostei particularmente dos screenshots, será que alguma vez vamos nos dar ao luxo de ter o aspecto do ubuntu no windows?

    Cumprimentos

  6. Grande Artigo!
    Muito bem! ;)

  7. Muito bom artigo, para um excelente sistema que é o Ubuntu, mas uma coisa que ainda não gosto muito no Ubuntu são esses papeis de parede, dos 17 2 ou 3 se salva, na minha opinião, é claro! Mas de resto o Ubuntu é show!!!

  8. Simplesmente, excelente artigo! gostei muito de ler essa tua review! Parabéns!

    Entretanto, vê o meu último artigo, não há nada melhor que redigir com o FocusReview 8)

  9. grande artigo. os meus parabens

  10. bom artigo, muito completo.

    já agora se me permitem, dois pontos:

    1º não concordo inteiramente que o Libreoffice/OOo seja apenas para ser usado em ambientes caseiros, até porque existem casos de peso em ambientes bem diferentes, como o caso da Radio Popular por cá, do Banco do Brasil, Gendarmerie na França, e creio que em alguns Ministérios franceses bem como na Alemanha, nomeadamente Munique com o projecto Limux e creio que tb no MNE alemão.
    E claro na nossa vizinha Espanha, na Extremadura etc bem como na Cidade de Largo na Florida, EUA.

    2º se me permites queria deixar um link para uma pequena review à versão 10.10 do Kubuntu mas com a versão Netbook Plasma.

    http://www.zdnet.co.uk/blogs/jamies-mostly-linux-stuff-10006480/kubuntu-on-netbooks-10020749/

    thanks….keep up with the great work!

  11. WOW! GRANDE artigo! Muitos Parabéns mesmo! Dos melhores que já vi!

  12. Parabéns pelo site!
    E tabém pela análise! Completa, clara e bastante precisa!
    Saudações!

  13. A melhor análise sobre a, desde já, melhor versão do ubuntu. Parabens.

  14. Épico mesmo… a versão do Ubuntu e esta análise. Parabéns

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