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25/01/2011
Escrito por em Análises | 7.956 Leituras

A placa mãe é uma das peças principais de um computador, é nela que os restantes componentes são ligados sendo por isso a mais afectada na constante actualização do hardware, a infinidade de marcas e variantes tornam a escolha de uma delas um pesadelo para os menos conhecedores.

Imagem : MSI

Continuando a sequência de montagem de um computador este artigo será a terceira parte de este tutorial, para quem está a ver isto pela primeira vez recomenda-se a leitura dos anteriores que falam de tipos de computador (podem clicar aqui) e fontes de alimentação (podem clicar aqui).

Composição de uma placa mãe.

A funcionalidade principal de uma placa mãe (daqui para frente passaremos a tratar as placas mãe pelo seu nome em Inglês: Motherboard) é interligar todos os componentes de um computador, fornece-los com energia e permitir a comunicação entre eles.

Imagem : Wikipedia

História: A primeira Motherboard tal e qual como a conhecemos hoje foi criada por Steve Wozniac (Woz), fundador da Apple, em 1977 com o computador Apple II que tinha o processador 6502 da empresa MOS technology, embora oficialmente a primeira Motherboard esteja acreditada à IBM em 1981 com o computador 5150 que tinha o processador Intel 8088.”

Toda a informação que é gerada ou processada num computador tem que passar pela Motherboard, dentro dela encontramos o CPU Socket para ligação do processador, o Chipset que permite a comunicação entre o processador e os restantes componentes, e a BIOS que controla as definições básicas do sistema.

Adicionalmente temos ligações chamadas “Slots” e também portas que permitem a ligação de memórias, placas gráficas, discos rígidos e periféricos, nos últimos anos foram também incluídas funcionalidades que anteriormente precisavam de placas adicionais, como por exemplo: placas de rede, placas de som, modems, e até placas gráficas, que agora estão totalmente embutidas na Motherboard, libertando assim os Slots de expansão para outros componentes.

Imagem : Tom´s Hardware

Uma das características fundamentais de uma Motherboard é o CPU Socket (ou porta de ligação) donde será conectado o processador, para escolher uma Motherboard adequadamente temos primeiro que escolher o processador que será usado no PC (cada série e/ou marca de processadores tem um Socket diferente), para posteriormente analisar dentro das opções respectivas qual o Chipset mais adequado, este último é uma das partes mais importantes de uma Motherboard, e está directamente relacionado com o processador que vamos usar.

Funcionamento do Chipset.

O Chipset está embutido na Motherboard e é formado por dois circuitos integrados (chips), chamados Northbridge e Southbridge, o primeiro liga o processador a memória RAM e a placa gráfica, o segundo liga aos restantes componentes.

Os fabricantes de processadores, leia-se Intel e AMD, criam novos Chipsets para cada nova série de processadores e respectivo Socket, notem que o Chipset não é de maneira nenhuma actualizável, se quiserem mudar para outra série mais recente de processadores terão de adquirir uma nova Motherboard.

Os canais de ligação entre o Chipset e os componentes são chamados “Bus”, os principais são: o Front Side Bus (ou FSB) que liga o processador ao Northbridge, o Memory Bus liga a memória RAM ao Northbridge e o PCIe Bus que liga a placa gráfica ao Northbridge, depois existem outros que ligam os restantes componentes ao Southbridge.

Como escolher uma Motherboard.

O tamanho das Motherboards é standard, no caso de computadores fixos (como foi explicado nos artigos anteriores) o tamanho será sempre ATX, depois segundo o processador teremos de escolher o Chipset mais adequado e finalmente uma marca fiável, exemplos de marcas reputadas no mercado são: Asus, MSI, Gigabyte e Supermicro.

A Motherboard é um dos componentes mais caros que o PC tem, e também é o que fica desactualizado mais depressa, o ritmo alucinante ao qual a tecnologia se desenvolve torna praticamente impossível ter um computador actualizado mais do que 6 meses, a Motherboard ao ter ligações para todos os restantes componentes está “sempre desactualizada”.

Perante esta situação é francamente desaconselhável gastar muito dinheiro numa placa mãe, leia-se não comprar topo de gama em nenhuma circunstância, entre os 100 e os 150 Euros é possível comprar uma Motherboard com uma excelente relação preço/qualidade, o importante é escolher o Chipset que ofereça a maior performance e que esteja dentro do orçamento.

O maior erro que muito utilizador comete é comprar uma Motherboard cara e com todas as funcionalidades mais modernas com a presumível ideia de que futuramente poderá actualizar os componentes nela ligados, o que na realidade não é possível, basta o lançamento de um novo processador para que a placa mãe fique imediatamente fora da corrida, já para não falar de outras variáveis como ligações de placas gráficas e de discos rígidos.

Imagem : Asus

A parte mais complicada é a escolha do Chipset, por norma para cada CPU Socket temos vários Chipsets, um de baixa gama, um de média gama e outro de alta gama, salvo raras excepções as diferenças de performance entre eles são mínimas ou inexistentes, o que na realidade varia e faz escalar os preços são as suas funcionalidades extra e as capacidade de expansão adicionadas, por isso é bastante importante avaliar as nossas necessidades para não pagar por coisas que nunca vamos usar.

As características mais importantes para além do CPU Socket são: quantidade de slots para memória RAM, slot de ligação para a placa gráfica, e interface de ligação dos discos rígidos, a escolha prévia de estes componentes também ajuda a limitar as possibilidades de escolha da Motherboard de entre as centenas existentes, de referir que todas placas mãe actuais já incluem placa de som 7.1 e placa de rede a 1 Gbps.

Tenham em atenção que existem Motherboards que têm placas gráficas incluídas, por norma fazem parte dos Chipsets de entrada de gama, estas placas gráficas são bastante fracas e embora esta opção possa reduzir consideravelmente o preço total do PC não é de todo recomendável, falaremos disto ao pormenor no artigo referente as placas gráficas.

A pessoa mais indicada para recomendar qual o Chipset mais adequado para o processador escolhido é sem dúvida o pessoal das lojas locais (linha branca), pois lidam diariamente com as mais variadas Motherboards de marcas diferentes, e sabem inclusive qual a melhor marca para determinado Chipset em determinada ocasião, o ponto importante a reter é que o Chipset é o que na realidade dá mais ou menos performance a uma Motherboard, e é recomendável usar Chipsets criados pelas mesmas marcas que fabricam os processadores, obviamente Intel e AMD, fica aqui uma menção para a Nvidia que também cria Chipsets para ambas as marcas de processadores e que por norma têm boa qualidade e performance.

Dito isto, não vão sair deste tutorial de mãos a abanar, não vou colocar aqui e agora quais os Chipsets mais recomendados pois o artigo certamente iria ficar desactualizado em aproximadamente cinco minutos, mas lá mais para frente e depois de termos explicado todos os componentes, existirá um artigo que vai colocar tudo preto no branco, com nomes e apelidos por assim dizer, esse artigo irá ser actualizado regularmente para acompanhar a evolução do Hardware.

Em resumo e para finalizar, para escolher uma Motherboard basta seguir estes simples passos: escolher o processador, o chipset, a placa gráfica e a memória RAM, depois basta seleccionar a placa mãe que contêm todas estas características e que está dentro do orçamento.

No próximo artigo vamos falar dos processadores, qual a sua verdadeira influência na performance do PC e como escolher o mais adequado, fiquem atentos.

Se tiverem alguma dúvida ou feedback acerca das Motherboards ataquem desalmadamente na secção dos comentários.


Este artigo foi escrito por em 25 Jan, 2011, e está arquivado em Análises. Siga quaisquer respostas a este artigo através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta ou fazer um trackback do seu próprio site.

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11 comentários em “Como escolher um computador: parte 3, placas mãe.”
  1. Isto devia ser a parte 1…loool é o mais important num desktop…um vez que uma boa placa-mãe permite upgrade…uma fraca nem p isso…
    :p

    abraço.

    • Diogo, o conjunto de conselhos farão o total de dicas para se escolher o computador. O ideal será ter em conta TODOS os artigos do Pedro Lopes, que, nesta terceira parte, esteve ao rubro, outra vez…

      • Eu li TODOS e escrevi parte 1 no sentido de ser uma das 1as coisas, se não a 1a, com que nos devemos preocupar e não no sentido de ser a 1ª publicação… talvez me tenha expressado mal… O tutorial está fantástico e não quero de modo algum desencorajar os produtores destes excelentes textos. Apenas acrescento que é absolutamente verdade que uma placa-mãe fica desactualizada num piscar de olhos mas não é por isso que devemos comprar uma placa-mãe APENAS de acordo com os componentes que vamos adquirir como é dado a entender no texto foi publicado e passo a citar “Em resumo e para finalizar, para escolher uma Motherboard basta seguir estes simples passos: escolher o processador, o chipset, a placa gráfica e a memória RAM, depois basta seleccionar a placa mãe que contêm todas estas características e que está dentro do orçamento.” alem disso, é importante dizer que temos de ter em conta um possível upgrade no futuro…que não é tão pouco comum acontecer, penso eu e por isso é boa ideia comprar uma placa um pouco melhor, sem entrar em loucuras claro…porque mais tarde podem beneficiar e muito com um investimento um pouco maior e que muitas vezes nem ultrapassa diferenças acima dos 50€…

      • Obrigado pela pronta e correctíssima resposta caro Mário.

        Abraço. :)

    • Olá Diogo,

      Comentários destes é que são interessantes pois levantam sempre questões que de uma maneira ou outra não foram esclarecidas no artigo, é precisamente para isto que os comentários servem. :)

      Vamos por partes, a placa mãe é um dos componentes mais importantes, mas não “o mais importante”, uma placa gráfica por exemplo proporciona resultados muito mais visíveis do que uma motherboard.

      A questão da actualização é relativa, ou melhor, está directamente relacionada com a capacidade financeira da pessoa que está a comprar, mais de 90% dos utilizadores domésticos compra um computador de x em x anos, o PC nunca é actualizado, deste ponto de vista é um desperdício comprar uma motherboard cara.

      Mas mesmo para quem actualiza regularmente não compensa, e para dar um exemplo, certamente houve quem compra-se em Dezembro do ano passado placas-mãe com chipset topo de gama X58 das mais caras com o respectivo processador i7, ora isto é um erro duplo, em primeiro lugar o processador não é uma boa compra pois tem uma relação preço/rendimento bastante fraca, e com a board a mesma coisa, de facto ficaram com um topo de gama, mas teve duração de “um mês”, agora já está desactualizado, pois a Intel já lançou novos processadores com Socket diferente, os Sandy Bridge.

      Percebes agora o porquê ser desaconselhável comprar topo de gama? A única coisa que é verdadeiramente actualizável é a placa gráfica, pois a sua interface mantém-se na mesma durante períodos mais longos de tempo, de qualquer modo nota que referi um preço entre 100 e 150 euros, o que não é tão pouco quanto isso, existem delas muito mais baratas e com menos funcionalidades.

      Abraço e comenta mais vezes. :)

      • Subscrevo totalmente o comentário do Pedro, mas o que eu escrevi e repito é que muitas vezes compramos uma placa-mãe apenas para satisfazer as necessidades de hoje, como é dado a entender no texto publicado, quando por mais uns trocos, muitas vezes compramos algo muito melhor… o processador e a placa-mãe geralmente não são updates faceis, ou seja não se fazem upgrades precisamente por causa do socket, enquanto uma gráfica quase que se pode trocar muito mais facilmente… o meu ponto de vista é simples, acho que devemos investir numa placa-mãe com alguma capacidade de expansão, porque qualquer placa para upgrade pode ser ligada por PCI, se estivem disponiveis algumas slots…caso contrario nem para acrescentar uma placa de usb dá…é obvio que tudo depende das bolsas mas também não estamos a falar de placas de 300 e 400€…as vezes 50€ é o suficiente para ter algo muito bom ou muito mau… Isto tudo independentemente de ter sido referido um valor entre os 100 e os 150€, a questão é aconselhar a pensar bem num componente que tem ganhos insignificantes no que diz respeito ao desempenho da maquina, mas que pode amanha livrar, quem pretende fazer algum upgrade, de gigantes dores de cabeça… e deixo ainda mais uma nota que quase esclarece todo este debate, que é, não podemos esquecer que tudo depende da utilização que se pretende para um desktop… uma utilização “word” nada tem haver com modelação 3D ou jogos…

        Abraço.

        Abraço.

        • Diogo, a questão é mesmo essa, tens mesmo que comprar o que existe hoje porque aquilo que vai existir amanhã não é conhecido nem por nós nem pelas pessoas que vendem o PC, os possuidores dessa informação são os fabricantes e obviamente sendo o interesse deles vender só informam das novidades mesmo encima da hora.

          Voltando ao exemplo que mencionei no comentário anterior, o fulano que vendeu a board topo de gama garantiu ao cliente a pés juntos que aquilo era a última novidade, tinha não sei quantas slots de expansão e incorporava todas as tecnologias mais recentes e as que se previam, por exemplo Sata 6 e usb 3, mas o facto é que um mês depois a board ficou desactualizada na mesma, e atenção que não é culpa de quem vendeu, na altura aquilo era mesmo o melhor que havia.

          Ninguém estava a espera em Dezembro do ano passado que os novos processadores iriam precisar de um novo socket, no máximo suspeitava-se que existisse essa possibilidade, mas os fabricantes já sabiam há meses e até Janeiro de este ano não tinham dito nada.

          Como disse também no comentário anterior (e tu também disseste) actualmente o único componente que pode ser mesmo actualizado com facilidade é a placa gráfica, e eventualmente adicionar mais memória RAM, o resto são variáveis das quais não temos controlo, e muito sinceramente tirando casos especiais (profissionais de vídeo e áudio) já ninguém usa as slots de expansão PCI ou mesmo PCIe, as motherboards trazem tudo embutido.

          Em relação ao intervalo de preço que referi é sim bastante relevante, mas isso não ficou explicado no artigo e pelo facto peço desculpa, o que acontece é que nesse intervalo podes adquirir uma motherboard com tudo ao que tens direito, leia-se, chipset mais actualizado, todas as tecnologias existentes actualmente, slots de expansão, portas USB as resmas, e 4 slots para RAM.

          A partir deste intervalo para cima começas a adquirir funcionalidades que por norma não vais usar, bluetooth, Wi-Fi, sistemas de arrefecimento xpto, mais slots de expansão e para RAM, etc, mas na prática isto tudo não vai ser usado.

          Resumindo, não é possível comprar uma coisa que seja actualizável quando nem sequer se sabe o que de facto vai mudar, e por uma questão de melhoramento do desempenho do computador é preferível gastar menos dinheiro na motherboard e mais na placa gráfica, acredita que a diferença é muita.

          Abraço. :)

  2. Luis Meleiro diz:

    Bom post, so uma pequena correção nas motherboards com socket 1366, 1155 e 1156 quem controla a memoria é o processador e não o chipset. Assim como o FSB deixou de existir e passou a chamar-se QPI. Na minha modesta opinião o facto de uma board não estar actualizada não significa que a sua performance seja inferior a outras mais actuais, por isso a board deve ser o componente que merece mais atenção na escolha.
    abraço,

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