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01/02/2011
Escrito por em Análises | 8.523 Leituras

Flickr : free-stock

Para além de uma placa gráfica o processador é o componente mais dispendioso de um computador, daí a importância de uma escolha cuidada e adaptada as nossas necessidades, contrariamente ao que está enraizado na crença popular nem sempre o processador mais rápido é o mais adequado, no entanto a sua capacidade não deve ser menosprezada.

Este é o quarto artigo de uma série que pretende esclarecer os leitores para fazerem uma escolha acertada daquilo que devem ou não comprar, e evitar a habitual compra as cegas na qual ficam a mercê de quem vende, se ainda não o fizeram é recomendável que leiam os artigos anteriores (e também os comentários neles contidos) pois está lá informação que só faz sentido em conjunto:

– Como escolher um computador: parte 1, tipo de computador.

– Como escolher um computador: parte 2, caixa e fonte de alimentação.

– Como escolher um computador: parte 3, placas mãe.

Funcionamento do processador.

Como o próprio nome indica, a funcionalidade básica de um processador (que para efeitos de esta série de artigos passará a ser tratado por “CPU” do Inglês: Central Processing Unit) é processar toda a informação que lhe é submetida pelos diversos componentes.

Intel 4004

Muito (mas mesmo muito) resumidamente o CPU recebe as instruções (evidentemente em código binário) e executa os cálculos com as suas unidades lógicas e aritméticas (chamada ALU), adicionalmente é o encarregado de colocar e retirar os dados da memória a medida que os mesmos são processados.

História: O primeiro microprocessador tal e qual como hoje o conhecemos foi criado pela Intel em 1971 era o 4004 e trabalhava a 740 KHz, sim leram bem, menos do que 1 MHz! ”

Como escolher um processador.

O maior erro que é cometido na compra de um CPU é pensar que a sua velocidade é o factor mais importante, o que está longe de ser a realidade, o que verdadeiramente define o rendimento do processador é a quantidade de instruções por segundo que podem ser executadas (que são medidas em MIPS: milhões de instruções por segundo), e que por sua vez é directamente proporcional a quantidade de transístores que contêm.

Para exemplificar com um caso concreto, o CPU i5 760 da Intel com velocidade de 2,8 GHz tem 774 milhões de transístores, já o novo i5 2300 com a mesma velocidade tem 995 milhões de transístores, na prática e segundo o teste do programa 7-zip, o i5 760 consegue fazer 11600 MIPS, já o i5 2300 faz 13300 MIPS, como podem ver o processador mais recente embora tenha a mesma velocidade tem mais performance.

Flickr : flutlicht_pr

O segundo erro está na quantidade de núcleos, mais núcleos não implicam necessariamente mais performance, e embora isto pareça não fazer sentido é muito fácil de explicar, não existe praticamente nenhum programa no mercado capaz de tirar proveito de processamento em paralelo (nem sequer o Windows 7 e possivelmente o Windows 8 também não), actualmente os programas vão usando o primeiro núcleo até este ficar esgotado e só depois é que passam para o segundo, isto é processamento sequencial, no paralelo seria possível usar todos os núcleos em simultâneo para acelerar o processo.

Outro factor a ter em conta é que em utilização normal o CPU passa mais de 90% do tempo em stand by, a espera que lhe seja fornecida a informação, na prática é o que menos contribui para o rendimento geral do PC, é claro que para aplicações que requeiram grande quantidade de cálculos o processador trabalha durante mais tempo, por exemplo tratamento de imagem ou vídeo, animação 3D e CAD/CAM.

Um caso típico de esta situação seria por exemplo escrever um texto no Word, o CPU só é necessário para colocar o programa na memória, depois fica a ver o tempo a passar (é literalmente um preguiçoso) a espera que lhe seja solicitada mais alguma coisa, evidentemente aqui tanto faz se temos dois núcleos ou oito, se temos 3 GHz de velocidade ou só 2GHz, é irrelevante pois o processador está parado, o mesmo acontece com todas as aplicações que usamos no dia-a-dia.

Flickr : essjay

Assim sendo, para os utilizadores domésticos a melhor opção é optar por um CPU mais económico pois o mesmo será sempre subaproveitado, dois núcleos de gama baixa serão suficientes para as tarefas básicas, já para utilizadores profissionais ou jogadores intensivos o melhor é optar por processadores de média gama com mais núcleos e também mais velocidade.

Só uma última referência para os processadores topo de gama, salvo raras excepções de casos que necessitam de processamento intensivo durante longos períodos de tempo, é desaconselhável a sua aquisição pois a sua relação preço/rendimento é bastante fraca, leia-se são muito dispendiosos e oferecem percentagens diminutas de melhoria de rendimento em relação aos de média gama mais económicos.

O futuro dos processadores.

Durante os últimos 20 anos as empresas fabricantes de CPU têm-se limitado a reduzir o tamanho dos transístores que colocam dentro do chip, o que é bom pois permite o aumento da capacidade de rendimento mas não é de maneira nenhuma inovador, e como em todas as tecnologias esta também tem limites.

O limite físico de miniaturização do material que é usado para a fabricação dos transístores é de 10 nm (nanómetro, um nanómetro é igual a 0,000001 milímetros), os mais recentes processadores da Intel estão já nos 32 nm e prevê-se que o limite seja atingido nos próximos dois a três anos.

Processador quântico

Existem duas opções, primeiro aumentar o tamanho do chip de maneira a não continuar a reduzir o tamanho dos transístores, ou a segunda (e que deveria ser a mais lógica) optar por uma mudança radical despachando de vez os transístores e introduzindo uma nova geração de processadores baseados em tecnologia óptica ou quântica, uma coisa é certa, será ainda na nossa geração que teremos o prazer de ver nascer uma nova tecnologia de processadores.

No próximo artigo vamos abordar um tema não menos importante, a memória RAM, a sua importância e quantidade a usar, que nem sempre é bem escolhida.

Se tiverem dúvidas ou feedback acerca dos processadores usem a zona dos comentários.

Este artigo foi escrito por em 01 Fev, 2011, e está arquivado em Análises. Siga quaisquer respostas a este artigo através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta ou fazer um trackback do seu próprio site.

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6 comentários em “Como escolher um computador: parte 4, processadores.”
  1. user PRO com o winrar sempre a topo, seja a comprimir seja a descomprimir GRANDES quantidades de informação…assim me descrevo eu!

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