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21/03/2012
Escrito por em Análises | 21.870 Leituras

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A ideia por trás do Facebook e dos seus clones mais ou menos descarados é uma lógica e inacreditavelmente óbvia: um lugar central em que possamos partilhar os mais variados aspectos da nossa vida com os que nos são queridos e/ ou conhecidos. A sua implementação, em concreto no Facebook, foi ao longo do tempo minada por imposições industriais, e hoje o Facebook tornou-se uma lista infindável de marcas, anúncios, passatempos e algures lá perdido, algum conteúdo significativo e importante daqueles que nos são queridos e/ou conhecidos. Olá Path.

O Hi5, há muitas luas atrás, foi das primeiras redes sociais a ganhar tracção no nosso país. Desde o seu aparecimento, cada ciclo da web tem tido o seu próprio Hi5: um serviço que surge do nada, ganha um ímpeto enorme, massifica-se e acaba por trair os seus princípios em favor de interesses comerciais. Este serviços web em decadência podem ter um tempo em cuidados paliativos bastante extenso, levando-os a um estado totalmente decrépito, como o prova o ainda existente Hi5: da última vez que dele se falou, descreveram-mo como, e peço desculpa pela pouca ortodoxia, uma casa de carne online.

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O Hi5 foi o Hi5 da sua geração. O Facebook será o Hi5 desta geração. É claro que o Facebook tem um plano de negócio e evolução bem mais delineado e sólido, e é inegável a importância e utilidade do Facebook hoje em dia – as marcas têm sabido como utilizá-lo a seu favor -, mas a web é um London Eye veloz e imparável e eventualmente a próxima next big thing surgirá. O Facebook poderá continuar a existir, mas perderá os holofotes do protagonismo. Ninguém pode precisar quando isso acontecerá, mas acontecerá.

Entretanto, a rede social de Mark Zuckerberg está já naquela fase em que começa a ser infiel aos seus princípios por interesses comerciais. Não é tão fácil partilhar/descobrir conteúdo relevante e interessante por parte daqueles que nos são queridos, mas é incrivelmente simples descobrir a nova promoção da Gilette ou a produção per capita bovino da quinta de todos os nossos conhecidos. O Facebook de um agradável bar intimista de sábado à noite tornou-se num mercado indiano de peixe a um domingo de manhã: superlotado, confuso, e com mais décibeis que peixe.

O Path é uma rede social recente que pretende reabilitar as redes sociais com o seu estatuto de lugar intimista, personalizado e pessoal, para partilha de momentos importantes ou mais casuais do dia-a-dia para com aqueles que nos são queridos. Começa com uma limitação interessante: são permitidos apenas 150 amigos, no máximo dos máximos.

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Eu abismo-me com as pessoas que acumulam literalmente milhares de amigos no Facebook. Cada vez que vejo uma a dúvida assoma-me ao espírito: “serei eu uma pessoa assim tão anti-social e tão pouco dada, ou este gajo consegue mesmo contactar mais ou menos esporadicamente com os seus 3842 amigos?”. Chega a ser ridículo, perdoem-me a frontalidade. Torna-se praticamente impossível filtrar a informação relevante dos amigos/conhecidos… a menos que, é claro, a dita pessoa tenha mesmo 3842 amigos.

O Path é simplista. Funciona exclusivamente através do telemóvel – oh!, a hegemonia crescente dos smartphones – com apps para iOS e Android com capacidade de partilharem adicionalmente para o Facebook, Twitter,Tumblr e Foursquare, se bem que todas as actualizações tem um link próprio visualizável em qualquer browser.

Na primeira vez que abrimos a app, é nos exigida personalização. Somos convidados a escolher uma imagem para o fundo do nosso Path – de um conjunto de imagens artísticas pré-definidas ou escolhendo da nossa galeria – e uma foto de perfil. Posto isto, estamos na linha de tempo do Path.

O Path é um Facebook desmembrado e reduzido ao seu essencial. Daí, a amplitude do que podemos partilhar é bem mais limitada, mas não restrititiva. Existem 6 tipos de momentos (possibilidades de partilha): fotos/vídeos, com quem estamos, onde estamos, a música que estamos ouvir, uma mensagem em texto e se estamos a dormir ou acordados. 6 possíveis actualizações de estado que satisfazem as necessidades da maioria, se pensarmos nisso. A última, acerca dos nossos hábitos de sono, parece bizarra: segundo os criadores do Path, nesta época digital em que estamos ligados à rede grande parte do nosso dia, não existe online/offline/ausente: existe estarmos acordados e ligados e estarmos deitados e a dormir.

A partilha de mensagens inclui texto simples e links, sendo que a qualquer momento é possível adicionar com quem e onde estamos. O momento música utiliza os servidores do iTunes para fornecer a lista de músicas e trechos de 30s de cada uma delas, e o Gracenote para efectuar o reconhecimento de música escutada pelo microfone do telemóvel (à semelhança do Soundhound e Shazam). Na versão para iOS da aplicação, as fotos/vídeos podem ser enfeitadas com um conjunto de efeitos à la Instagram.

Cada momento partilhado pode ser comentado e, digamos, avaliado através de 5 emoções diferentes. Este é uma aproximação bem mais pessoal e adequada às nossas relações humanas do que a lógica binária do Facebook – do Gosto e Não Gosto.

E é isto o Path. 4 pequenos parágrafos bastaram para descrevê-lo na sua essência: uma ferramenta de partilha bem intimista e focalizada. Não há nada de jogos da Zynga, campanhas de publicidade ou eventos, fotos do 9GAG partilhadas em massa ou memes esfarrapados pelo uso. Apenas conteúdo daqueles que nos são queridos e/ou conhecidos. Para todos esses anti-sociais que não têm 3842 amigos e desejam apenas saber o que se passa com aqueles que lhe são queridos.

O equipa do Path equaciona adicionar mais tipos de momentos, mas está a fazê-lo muito cuidadosamente e tentando que o Path mantenha o seu foco em conteúdo relevante para os utilizadores. Recentemente anunciou uma parceria com a Nike, permitindo a partilha automática dos itinerários realizados com os dispositivos GPS da marca desportiva. É este o tipo de parcerias, bem calculadas e pensadas, que se espera do Path: será uma experiência bem mais controlada e restrita, mas mais precisa e focada no conteúdo, de uma objectividade aliviante que o Facebook perdeu há muitos anos. Ao abrir o seu ecossistema a novas aplicações e métodos de partilha, o Facebook ganhou uma massa de potenciais utilizadores incrível, mas também um acréscimo de spam que poluiu em todos os seus aspectos a sua ideia original.

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O Path não pretende ser a rede social mais utilizada no mundo, mas pretente redefinir e premir o botão “reset” nos nossos paradigmas de partilha online. É uma experiência limpa de utilização, refrescante pela sua simplicidade e relevância do conteúdo. É bom ver o que os meus amigos dizem, pensam e têm andado a fazer, ao invés da última campanha da Gilette ou de toda uma míriade de informações não necessárias, numa cascata arrebatadora de na sua maioria inutilidades – Facebook.

Também, as aplicações do Path para iOS e Android são das mais bem-desenhadas, bonitas e aprazíveis que usei nos últimos tempos. Foram já galardoadas com vários prémios de design e confirma-se efectivamente, é um deleite utilizá-las. As animações, os elementos da UI, tudo cria uma experiência de utilização inigualável. Vou parar por aqui, porque me perderia em elogios. O design torna o uso da app viciante, e mesmo que o meu Path actualmente seja um cemitério no Sahara, todos os dias o visito só para apreciar o quão bem feita está a aplicação. Vale a pena experimentar só por isso (ainda que a app para iOS esteja milhas à frente da app para Android, e essa é já por si muito boa).

O Path é ainda um cemitério, se bem que a um nível menor que o Gooogle+. Nem um dos meus contactos importantes aderiu, e talvez demore até que o façam. Mas o que estou certo é que eu vi a minha rede social perfeita e quero-a, já!

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O Path é uma rede social para aqueles que não têm 3842 amigos e querem saber dos seus: os ditos anti-sociais de hoje em dia. (levantei a mão). Não podia deixar de apresentá-lo aqui, quem sabe não andem por aí mais anti-sociais como eu na senda pela rede social perfeita para eles.

Este artigo foi escrito por em 21 Mar, 2012, e está arquivado em Análises. Siga quaisquer respostas a este artigo através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta ou fazer um trackback do seu próprio site.

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4 comentários em “Path, a rede Social para os anti-sociais”
  1. Olha a coincidência, essa semana estava relembrando e escutando várias vezes esse som que combina perfeitamente com a tônica da postagem:
    Anthrax-Anti-social:
    http://www.youtube.com/watch?v=-t0affoV5rI
    Se for para me corresponder no Facebook com algumas centenas de “amigos” e vendo milhares de propagandas realmente eu também sou anti-social hehehe.
    Um forte abraço,
    Fábio

  2. Samuel Gomes diz:

    Neste momento só não largo o facebook, pois é-me necessário como ferramenta de partilha e de comunicação.
    Na altura, lembro-me perfeitamente, larguei o Hi5 antes de dar o boom final, pois já era insuportável de navegar por ali e fui para o Facebook, dizia claramente: “aqui sim, nota-se que é pessoal mais velho, a criançada está no hi5, partilha-se bons e relevantes conteúdos”.

    Bom, escusado será dizer que já não é a mesma coisa, não vou fugir à verdade e dizer que está como o Hi5, que não está! O hi5 era claramente o degredo, mas está a caminhar para algo que não gosto, isso está.

    Cumps

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