KeroDicas apresenta-vos mais uma rubrica de Cinematograficamente Falando… elaborada por Hugo Gomes @ cinematograficamentefalando.blogs.sapo.pt.

A destacar ANGELS AND DEMONS, THE EDGE OF LOVE e CHACUN SON CINÉMA, que têm estreia marcada para esta semana.

Informamos os nossos visitantes, que por motivos de força maior, o Hugo Gomes vai deixar de poder colaborar connosco, pelo que, em principio, esta será a nossa última rubrica de cinema. Pedimos ainda desculpas pelo atraso que a rubrica sofreu esta semana.

Real.: Ron Howard / Int.: Tom Hanks, Ayelet Zurer, Ewan McGregor

Dan Brown é um dos escritores mais lidos e polémicos dos nossos dias, o seu êxito gira envolto de thrillers literários, narrativamente simples e directos e sempre rodeados de temas delicados, entre eles a religião, que já por si é sempre motivo de discussão. O celebrizado novelista é conhecido internacionalmente por ter escrito o best-seller O Código da Vinci, que explora uma intriga que aborda um segredo milenar da descendência do próprio Jesus Cristo de Nazaré, protegido por uma sociedade secreta, o qual pertenceu alguns dos mais variados e incontornáveis homens da Historia, tais como Isaac Newton e obviamente, Leonardo da Vinci. O livro foi adaptado ao cinema pela Columbia Pictures, na cadeira de realizador apresentou-se Ron Howard (perito nos gostos do grande publico) e o estrelar Tom Hanks vestiu a pele de Robert Langdon, uma espécie de Sherlock Holmes das intrigas de Dan Brown.

Langdon é um professor de simbologia, brilhante na resolução de quebra-cabeças e na decifração de enigmas e códigos numa trama sempre rodeada de crimes horrendos e míticos dignos de qualquer bom thriller que se preze. Mas antes de Da Vinci Code, que fora escrito em 2003, em 2000, Brown havia escrito outro best-seller o qual a personagem encarnada por Tom Hanks era protagonista, o livro chamava-se Anjos e Demónios e era igualmente polémico por duas razões, primeira por retratar um atentado terrorista em pleno Vaticano e segunda por envolver os Iluminatis, a mais poderosa sociedade secreta de sempre num épico confronto entre religião e ciência. Depois do êxito cinematográfico de Da Vinci Code, palco para as mais variadas polémicas, a Columbia Pictures, que detém os direitos das obras de Dan Brown, não poderia deixar escapar o material atractivo o qual Anjos e Demónios eram constituídos.

E assim foi, com bastante demora, mas eis a adaptação cinematográfica de Angels and Demons, que volta a contra com Tom Hanks no principal papel e Ron Howard de regresso á realização após a aplausiva critica pelo seu Frost/Nixon. O filme, novamente adaptado por David Koepp e Akiva Goldsman (responsáveis pelo argumento), tinha inicialmente data de estreia para Dezembro do ano passado, mas a sua produção ficou envolta de polémicas entre elas a reclusa do Vaticano em permitir as filmagens na sua cidade, com que fez o estúdio gastar tempo e dinheiro na construção de cenários. Ao contrário do livro, que era um prequela das aventuras em O Código da Vinci, Angels and Demons, cinematograficamente, é uma sequela, o qual permite uma melhor liberdade e habituação ao universo sempre carregado de mistério e intriga vividas por Robert Langdon.

No elenco também temos que ter em conta, Ewan McGregor (Trainspotting, The Island), Ayelet Zurer (Munich, Vantage Point), Stellan Skarsgard (Exorcist – The Beggining, Mamma Mia!), Armin Mueller-Stahl (The International, Eastern Promises) e por fim o talentoso, mas desconhecido Nikolaj Lie Kaas (Adam’s Apple). Uma polémica intriga de por os “cabelos em pé”.

Real.: John Maybury / Int.: Keira Knightley, Sienna Miller, Cillian Murphy

John Maybury, o realizador de The Jacket, apresenta-nos The Edge of Love, um romance de intrigas de um trio amoroso bastante peculiar. Sendo um filme ambientado da época da 2ª Grande Guerra, Keira Knightley foi uma escolha evidente, tendo em conta o êxito internacional de Atonement, contudo aqui a jovem e cada vez mais destacada actriz dá nas vistas como Vera Phillips, uma mulher que se apaixona pelo carismático poeta, Dylan Thomas (Matthew Rhys) que se encontra casado com a bela Caitlin MacNamara (Sienna Miller).

Apesar da rivalidade entre as duas mulheres, ambas se tornam grandes amigas, convertendo-se num trio amoroso harmonioso. Pacifico até Phillips se casar com o soldado, William Killick (Cillian Murphy), o que irá causar ciúmes e alguma insegurança no já formado “triângulo de amor”. Sienna Miller tem um desempenho notável, o qual foi nomeada na categoria de Melhor Actriz na British Independent Film Awards, neste conto humano, romântico e intriguista, escrito por Sharman MacDonald. Um romance para se apaixonar.

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Real.: Manoel De Oliveira, Joel e Ethan Coen, Yimou Zhang … / int.: Willem Dafoe, David Cronenberg, Josh Brolin

Quem são as pessoas mais indicadas para falar de cinema do que as envolvidas nessa centenária arte. Com Chacun son Cinéma (Cada um o seu Cinema), eis a inspiração de transformar algo tão complexo como a 7ªArte numa resumida longa-metragem de 2 horas, trabalho tão complicado para um só homem, todavia são 33 realizadores de diferentes nacionalidades que vão desde o mestre Manoel De Oliveira a David Cronenberg, a Yimou Zhang aos irmão Coen, Alejandro González Iñárritu a Nanni Moretti, numa visão pessoal sobre o significado do cinema e as diferentes formas passionais de cada um expressar.

Filme apresentado pela primeira vez em 20 de Maio de 2007, mais propriamente no incontornável Festival de Cannes. Para ver, sonhar, reflectir e viver uma arte tão nossa como o cinema.

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Real.: J.J. Abrams / Int.: Chris Pine, Zachary Quinto, Eric Bana

Desde 2005 que a saga Star Trek andava á beira do esquecimento, após os maus resultados do ultimo filme, Nemesis, e o cancelamento da série televisiva, os trekkies (apelido dos fãs desta velhinha saga galáctica e cinematográfica) eram cada vez uma “raça” á beira da extinção. J.J. Abrams, o criador de Perdidos e produtor de Nome de Código – Cloverfield, sempre expressou a sua paixão em Star Trek e sentiu-se responsável pelo regresso da mítica aura do franchising, contudo soube adapta-la às novas gerações o que resultou num blockbuster “colossal”.

È inegável que esta nova versão é vistosa, atractiva e bastante divertida, é aproximação mais exacta de outra saga intergalactica – Star Wars.

Real.: Abel Ferrara / Int.: Willem Dafoe, Bob Hoskins, Asia Argento

Ao contrário da seriedade e “arrogância” de Mary, este novo filme de Abel Ferrara é de tom mais descontraído o que se nota no rol de personagens bem doseadas pelo humor e sem pudor em “entrelaçar” conteúdo de teor sexual. Este delicado e sedutor “mundo aparte” (integralmente passado dentro de uma “boite”) leva-nos a uma viagem cativante e sem ênfase dramáticas ao submundo, uma comédia que mesmo sem brilhar estonteante, encanta, tal como a sensual banda sonora e a prestação musical de Willem DaFoe, num dos seus melhores papeis.

Real.: Ken Kwapis / Int.: Scarlett Johansson, Ben Affleck, Jennifer Connely

Realizado por Ken Kwapis (License to Wed), este filme está longe de brilhar em relação ao seu elenco, que varia entre o fraco, automático a esforçado, mas é na demonstração dos básicos estereótipos que a obra parece desequilibrar, ora vemos a ignorância em pessoa de que as mulheres são sentimentais e os homens frios e tresloucados por sexo, tudo isto a roçar um livro qualquer de Margarida Rebelo Pinto com tanto maniqueísmo, ora passemos a uma fase mais delicada no retrato deste sexo “incompreendido”, Ben Affleck, por exemplo, garante alguma simpatia na sua personagem o que basta para entendermos as personagens masculinas de todo o filme. Estranho que pareça, os propósitos deste pretensioso exercício de amor não se encontra claro, tentado invocar todo o número de arquétipos que serve como enriquecimento da trama.

Temos no meio algumas pseudo – entrevistas que nada servem do que trazer mais estereótipos. Mas verdade seja dita, dentro do género não é dos piores, traz conforto visual e algumas personagens irresistíveis.

Real.: Alexandre Aja / Int.: Kiefer Sutherland, Paula Patton, Amy Smart

Um ex-policia, Ben Carson (Kiefer Sutherland), caído em desgraça, aceita um trabalho a part-ime como segurança da Mayflower, um antigo armazém abandonado devido a um misterioso incêndio. Testemunhando fenómenos estranhos ocorridos dentro do velho estabelecimento, Carson terá agora que enfrentar um mal que parece encontrar-se residido nos espelhos da Mayflower, e não só.

Uma maldição sem fim com consequências mortais. Alexandre Aja que surpreendeu tudo e todos com a nova versão de Hills Have Eyes (2006), desilude com este remake de um filme coreano com mesma temática. Inicia-se com uma narrativa fast forward, uns sustos mais que vistos e um argumento que evolui da maneira mais inverosimilmente. Ficava melhor com uma pitada mais assente de suspense.

Extras - Cenas Cortadas e Alternativas com Comentário opcional pelo Realizador Alexandre Aja, Documentário “Reflections: The Making Of Mirrors”, featurette: “Behind The Mirror”.

Real.: Jonathan Levine / Int.: Josh Peck, Ben Kingsley, Olivia Thirlby

Estamos em 1994, Kurt Cobain tinha falecido recentemente, mas não é essa a história do filme, mas sim a de Shapiro (Josh Peck), um jovem traficante, deprimido com a sua vida e ainda virgem que desenvolve uma amizade fora do comum com Dr. Squires (Ben Kingsley), um muito estranho psiquiatra. Shapiro apaixona-se pela sua enteada e aí que a sua situação quotidiana modifica, levando ao jovem conhecer o que é o amor.

Vencedor do prémio de público do festival de Sundance, esta surpresa independente é narrativamente previsível, mas consiste numa adorável viagem ao fim da adolescência, com personagens marcantes e um ambiente bem conseguido. Um das obras mais marcantes do ano 2008.

Extras – Selecção de Cenas, Menus Interactivos.

Este artigo foi elaborada por Hugo Gomes @ http://cinematograficamentefalando.blogs.sapo.pt/