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06/05/2011
Escrito por em Dicas | 5.135 Leituras

Um dos aspectos mais importantes a ter em consideração quando se opta por adquirir um servidor privado (também denominado de VPS) é o motor de virtualização utilizado na máquina em que a sua VPS ficará alojada. Este é responsável pela maioria das faculdades da sua VPS, bem como a performance que esta conseguirá atingir. Neste artigo, vamos comparar algumas faculdades do Xen da Citrix e do OpenVZ, a versão gratuita do Virtuozzo, dois dos motores mais utilizados pelas empresas que disponibilizam servidores virtuais em Portugal.

 

Estes dois motores de virtualização diferem bastante entre si. O OpenVZ não funciona sobre um conceito de para-virtualização como acontece no Xen. É simplesmente uma versão alterada de um Kernel Linux que permite a criação de divisões (apelidadas de “containers” – as VPS´s) que mais não são que uma espécie de um “chroot” do sistema operativo base. Já o Xen, introduz um conceito de para-virtualização que, à semelhança de outras tecnologias como o VMWare e o KVM recorre directamente à capacidade de virtualização do hardware (Intel VT-d ou AMD-V) . O resultado é o seguinte:

 


Devido ao tipo de virtualização utilizada (uma espécie de virtualização por software), o OpenVZ não consegue um isolamento adequado. Não obstante dos limites definidos, um determinado “container” poderá ultrapassar o seu limite, prejudicando a performance de todo o servidor. Embora o OpenVZ suporte quotas, a sua imposição não consegue ser precisa. Este tipo de virtualização torna-se também menos seguro, já que a separação das máquinas virtuais é feita unicamente por software. As containers dependerão também da segurança do nodo principal que aloja as VPS´s.

 


Existem vários benchmarks realizados tanto sobre plataformas XEN como plataformas OpenVZ. Os resultados são conclusivos. Em situações de reduzida concorrência (poucas VPS´s) o tipo de virtualização mais permissivo do OpenVZ apresenta melhores resultados. Tal sucede-se pois o overhead resultante da para-virtualização existente no Xen por exemplo, é bastante mais reduzido no OpenVZ. Já em situações de um maior número de máquinas virtuais a correr em simultâneo, o XEN consegue manter uma performance estável, equiparável à inicial sem qualquer influência por parte das restantes VPS´s. Sendo a divisão de recursos feita ao nível de hardware, cada máquina virtual terá sempre garantidos os recursos definidos pelo administrador do sistema.

 


A razão para muitas empresas utilizarem o OpenVZ como base de virtualização para as suas VPS´s é a flexibilidade que existe em disponibilizar mais recursos do que os que a máquina efectivamente tem disponível. O resultado é uma maior rentabilização da máquina e a conseguente perda de performance em determinados períodos.

– O OpenVZ permite à empresa vender mais RAM do que a máquina efectivamente tem (ex: vender um total de 32GB de RAM quando o servidor apenas tem 16GB). Embora se apliquem conceitos de RAM garantida e RAM “burstable”, na verdade a RAM garantida não é imposta pelo sistema de virtualização OpenVZ. Por oposição, o Xen não permite à empresa atribuir mais memória do que a que existe disponível. Assim que um servidor privado é criado, a memória atribuída deixa de estar disponível para utilização noutros servidores privados.

– O OpenVZ não consegue limitar o número de operações de INPUT e OUTPUT no acesso aos discos rígidos. (ex: se num determinado momento um cliente descomprime um ficheiro bastante grande, todas as VPS´s existentes nessa máquina sofrerão um aumento de load). Permite apenas definir, por VPS, qual a prioridade que esta tem perante as restantes. Habitualmente, esta funcionalidade não será implementada pela empresa para que não exista uma monopolização de recursos.

– O OpenVZ não permite a utilização de uma partição de SWAP por VPS. Quando associada à incapacidade acima descrita, o SWAP pode facilmente constituir um problema bastante grave num nodo de VPS´s, causando mesmo o seu crash. Apenas a partição de SWAP do sistema principal que aloja as VPS´s é utilizada para este efeito e por todos os servidores privados.

Já o Xen, permite o controlo de todas estas situações, tendo no entanto, como contrapartida, requerer a utilização de nodos de processamento bastante capazes.

 


Devido à forma como a virtualização é feita no Xen, uma máquina virtual que corra sobre este sistema operativo comporta-se, efectivamente como se de um servidor dedicado se tratasse. Ao contrário do OpenVZ, o Xen permite a instalação do Kernel que considerar ideal bem como a utilização dos módulos que pretenda e de outros softwares que dependem de um acesso exclusivo ao kernel da máquina. Por exemplo:

– No Xen poderá compilar o kernel que lhe permitir uma melhor performance em alojamento web ou para correr aplicações personalizadas. Um bom exemplo disso, é a possibilidade de utilizar o CloudLinux sobre Xen. Já em OpenVZ, tal é impossível pois fica restringido ao kernel utilizado pela máquina que corre as suas VPS´s.

– Poderá disponibilizar backups R1Soft aos seus clientes de alojamento, tal como acontece em servidores dedicados. Em OpenVZ apenas a máquina principal poderá sofrer backups de R1Soft, tornando portanto impossível que este corra directamente nas máquinas virtuais e impedindo o acesso directo por parte do cliente aos seus backups.

– O Xen permite-lhe carregar os módulos que pretender no seu sistema operativo. Tal é especialmente importante para a firewall do seu sistema operativo que será certamente baseada em iptables. O IPTables faz um uso bastante extensivo de módulos do sistema operativo para funcionar devidamente. Em OpenVZ dependerá sempre dos módulos carregados na máquina principal que poderão não permitir a total utilização das regras de que necessita no seu servidor privado.

– O Xen permite uma maior abstracção do sistema operativo. Tal possibilita não só a utilização de distribuições Linux, como também de sistemas operativos Windows!

 

– Conclusão:

Sistemas de virtualização como o Xen, VMWare e KVM, capazes de exercer uma para-virtualização com recurso directo a hardware demonstram ser bastante capazes e em tudo idênticos a servidores dedicados. Na verdade, a tendência actual é para que, mesmo em servidores dedicados seja colocada uma camada de virtualização que torna bastante flexível a migração e actualização de plataforma, bem como soluções de alta disponibilidade como os Cloud Servers. A perda de performance resultante da virtualização é cada vez menos perceptível sendo, regra-geral, balanceada com um maior número de recursos.

Já o OpenVZ, não obstante de não disponibilizar suporte a algumas funcionalidades importantes, permite o overselling. O resultado será um custo inferior para o cliente final que adquire a VPS e que, poderá encontrar nesta solução uma performance suficiente para o que pretende. Se bem gerido, poderá também impedir que os problemas resultantes do overselling ocorram.

A escolha dependerá portanto das prioridades e necessidades do cliente.

Este artigo foi escrito por em 06 Mai, 2011, e está arquivado em Dicas, Novidades, Outras, Web. Siga quaisquer respostas a este artigo através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta ou fazer um trackback do seu próprio site.

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1 comentário em “Saiba tudo sobre como obter a melhor performance na sua VPS”
  1. Excelente artigo. A vantagem do OpenVZ é mesmo o preço, que costuma ser bastante inferior. Mas apesar do overselling que possa existir em muito lado, ainda há por aí empresas sérias, com bom suporte / serviços.

    Cumprimentos.

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