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26/02/2012
Escrito por em Análises | 4.068 Leituras

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Para uma grande maioria dos utilizadores do Android, a aplicação que corre nos seus smartphones quando clicam no ícone do browser é o Chrome. “O Android é da Google, o Chrome é da Google, logo o Chrome também está no Android.” é um raciocínio válido. No entanto, e apesar de partilharem algumas tecnologias, o Chrome e o Browser do Android são aplicações distintas. Mas não mais. Esta semana, a Google apresentou o Chrome para Android, que a médio-longo prazo tomará o trono da navegação no Android. A versão apresentada está ainda em estado-proveta – Beta -, mas merece um olhar mais atento.

Esta pequena análise focar-se-á unicamente na versão para telemóveis do Chrome, disponibilizada pela Google para dispositivos a correrem o Android 4.0 ICS. Com uma penetração de mercado de ~ 1%, ainda poucos utilizadores têm acesso à aplicação, mas como a médio-longo prazo este será o browser por omissão do Android, creio que explorar um pouco o browser será um tema de interesse comum. A versão para tablets partilha de todas as funcionalidades da versão para telemóveis, se bem que numa interface adaptada ao grande ecrã do tablet, muito semelhante à do Chrome para desktop, com a barra de separadores e o clássico ícone + no topo. São quase indistinguíveis, na verdade.

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Uma das grandes novidades, e das menos publicitadas aliás, deste Chrome para Android é o facto de partilhar da mesma base tecnológica do que o Chrome para desktop, conferindo-lhe portanto todas as tecnologias de renderização de páginas, aceleração da navegação e todo o suporte às mais recentes tecnologias web do seu homónimo. Esta base comum permite ainda uma veloz cadência na actualização e melhoria do browser – ciclos de desenvolvimento rápidos e actualizações frequentes.

Interface

Se em termos de suporte a standards e inclusão das mais recentes tecnologias de backend nada os diferencia, certamente a interface distingue os dois Chromes: o Chrome para Android traz toda uma nova e amigável interface para os smartphones. Ainda que nova, esta imagem é familiar e confortável, e todo o utilizador do Chrome se sentirá à vontade.

A paleta de cores e a iconografia realçam esta semelhança e, numa palavra, descreviria a UI do Chrome para Android como… chromy.

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Em termos de funcionalidades, as semelhanças não páram: está presente a mesma omnibar do Chrome, com capacidade de pesquisa no histórico de sites visitados, sugestões de resultados, previsão de URL e pesquisa directa no Google – numa ferramenta que se prova bastante útil e agilizadora da navegação.

A página de novo separador inclui também a já conhecida grelha com os sites mais visitados/mais recentemente visitados.

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Mas é pela gestão de separadores que esta versão para telemóveis prima. A gestão de separadores abertos tem sido uma questão muito focada e explorada nos browsers mobile, alvo de muitas aproximações de design diferentes, e a Google apresenta uma nova solução, à la webOS (não fosse Matias Duarte, um dos principais designers do sistema operativo agora da HP, uma das mais recentes contratações da Google): no Chrome para Android, os separadores abertos são mostrados como um conjunto de cartões empilhados, cada cartão com uma pré-visualização do respectivo site. Nas palavras da própria Google, é como estar a segurar um baralho de cartas. É possível deslizar pelo baralho para ver os separadores abertos, manipulá-lo para focar determinado separador aberto, e no geral brincar com ele de todas as maneiras possíveis e imagináveis – é de uma interactividade, fluidez e naturalidade notáveis.

Os cartões incluem um pequeno botão para o seu fecho, mas como na vida real puxamos para o lado o indesejado, no Chrome a metáfora mantém-se: pode-se fechar um separador apenas deslizando o seu cartão para uma das extremidades laterais do ecrã – num puxão súbito ou swype. É um gesto extremamente natural e o cartão, numa animação graciosa, desvanece-se – tal qual carta furada atirada preguiçosamente para a mesa de jogo, na sueca.

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Alternar entre separadores pode ainda ser conseguido deslizando – em movimento swype – o dedo perto das extremidades laterais do ecrã. À esquerda, para o separador anterior; à direita, para o separador seguinte.

É divertido gerir os separadores. E ligeiramente viciante. Esta tornou-se rapidamente a minha maneira de gestão preferida, e um dia já não é um dia sem um swypezinho de um cartão no Chrome para Android ;)

Em funcionamento

O Chrome para Android é veloz. Existem pela Internet vários benchmarks do browser, mas na verdade, para o utilizador comum, não interessa a velocidade bruta do browser, mas sim a percepção de velocidade que este transmita. E apesar de o Chrome se destacar nos testes de performance, a própria experiência de utilização prova-o. Tudo na interface é rápido a responder, as operações de zoom e foco de determinada secção da página ocorrem de modo fluído e suave na maioria das vezes, e mesmo páginas mais pesadas carregaram com relativa facilidade.

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As animações da interface contribuem para esta percepção de velocidade e a experiência de utilização global é de certo modo gratificante: o meu parco sub-apetrechado telemóvel se revelasse um portentoso dispositivo, é a sensação que fica de cada vez que uso o browser.

A simplicidade e a velocidade são valores que se mantiveram na transição para os dispositivos móveis, e o Chrome prova-se um browser rapidíssimo. Para isto contribuir, para além dos motores de renderização recentes, o facto de o Chrome pré-carregar as páginas automaticamente, à semelhança da sua versão mais adulta (isto pode ser configurado nas opções). Todas estas técnicas e afinações de velocidade fazem com que, à sua altura, talvez apenas existe um outro browser mobile: o Safari para iOS.

O coeficente diferenciador: sincronização

Mas browsers rápidos (com 3 ms a menos ou a mais no carregamento) e com interfaces agradáveis existem vários, e até com muito mais funcionalidade: destaco, por exemplo, o Dolphin Browser HD, sobre o qual recaía a minha escolha anteriormente. Este browser tem funcionalidade bastante útil que permite criar atalhos para websites desenhando-se formas no ecrã. Tornava a minha navegação muito mais rápida.

Com o Chrome para Android, tornou-se desnecessária. A versão para Android do browser inclui sincronização total com o Chrome para desktop, significando:

  • sincronização instantânea de favoritos;
  • sincronização instantânea de separadores abertos noutros dispositivos – é facil agora estar a navegar no computador e aceder aos separadores abertos através do telemóvel;
  • sincronização do histórico de pesquisa e navegação;

A primeira vez que abrimos o Chrome para Android somos convidados a iniciar sessão com a nossa conta Google, e isto é algo a fazer, impreterivelmente.

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Depois da primeira sincronização, passamos a ter acesso, na página de novo separador, à totalidade dos nossos marcadores e até à lista – em tempo real – dos separadores abertos noutras sessões do Chrome noutros dispositivos (seja tablet ou deskop), permitindo uma portabilidade imensa. Pode-se facilmente abrir no telemóvel uma página já aberta no computador ou tablet (sendo que o inverso não é ainda possível). Para além disso, a barra de URL é preenchida com o nosso histórico de navegação e sugestões baseadas nele.

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Usar o Chrome para Android com a sincronização é como rever um velho amigo, aquele amigo que nos conhece tão bem e nos sabe todas as manias, desde os anos da escola primária: na maior parte das vezes, basta-me escrever uma ou duas letras do site que quero visitar e ele é me imediatamente sugerido, com uma prontidão característica de melhor amigo. Não acredito que estou a comparar browsers aos meus amigos, mas é exactamente isso: o Chrome para Android é um porreiraço, neste aspecto.

A Google disponiblizou também uma nova extensão para o Chrome – Chrome to Mobile – que permite enviar páginas do Chrome Desktop para o Chrome Android, do género do que o Chrome to Phone já realizava, mas com um interessante aditivo: a possibilidade de enviar uma cópia para leitura offline no telemóvel. Isto, em poucos dias, foi-me útil várias vezes, na situação de estar a ler um artigo longo no computador e ter que sair. Utilizando esta função, pude sair e terminar a leitura do artigo no meu telemóvel, que entretanto o transferiu. Subtilmente, sem qualquer outra intervenção minha.

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A sincronização multiplica o poder do Chrome; sobrecarrega-o de utilidade e oferece-nos um browser personalizado, adaptado a nós e aos nossos hábitos de navegação. É um factor diferenciador que transforma (para melhor) a experiência de utilização e que nenhum outro browser pode oferecer.

Não só, mas também

A sincronização e a velocidade são os dois grandes pontos de destaque, mas existe todo um conjunto de funcionalidades que migra juntamente com o Chrome para a plataforma. Nomeadamente:

  • Modo incógnito:, que permite a navegação com a máxima privacidade e sem qualquer registo de actividade;

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    • Início de sessão automático nos serviços Google: Sempre que visitamos uma página de um serviço Google – Gmail, Calendar, Plus, Reader – o Chrome oferece-se para inicar a sessão automaticamente utilizando os dados da conta Google configurada no telefone (um gesto educado promovido do browser por omissão, não-Chrome, do Android 4.0);

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  • Link Preview: Um toque nas zonas mais densas da página (zonas com muitos links, nuvens de tags, por exemplo) traz agora uma vista em lupa da região, para evitar a escolha do link errado;
  • USB Debugging: À medida que a web mobile avança, também o fazem as ferramentas para os web developers: o USB Debugging permite a análise das páginas web a correr no Chrome para Android no computador, facilitando a tarefa de identificar erros e efectuar correcções aos progamadores;
  • Gestão de conteúdos e privacidade: É possível eliminar cookies e dados decada página visitada e desactivar todo o tipo de sugestões e previsão de resultados facilmente a partir do menu de opções, assim como controlar qual o motor de busca e os consumos de dados do Chrome;

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Imperfeições e problemas

Para uma versão beta, o Chrome para Android está perfeitamente estável, idóneo e completo para um uso regular e intensivo – aliás, como o está qualquer versão Beta do Chrome ou qualquer outro produto da Google. Ainda assim, de notar a falta de um modo de ecrã inteiro – que seria ideal para a tal leitura off e online dos artigos – e de suporte a Flash. A Google já afirmou que o Flash não será nunca suportado e, muito sinceramente, ainda bem. Nunca utilizei Flash em browsers móveis e nunca tive problemas de maior: um extra decadente num browser em ascenção não combinam, na minha opinião.

Outros utilizadores poderão sentir a falta de uma opção para requisitar a versão convencional, não-móvel, de uma página. O Browser do ICS incluía esta opção e é algo que a Google, juntamente com o suporte a ecrã inteiro, afirma estar a implementar.

Da minha experiência de utilização, destaco por vezes algumas quebras na renderização da página e o facto de o zoom e o scroll serem muito instáveis e erráticos até o carregamento da página estar totalmente completo. Noto também um certo lag, um desfasamento temporal entre o momento que toco numa tecla no teclado e o momento em que o toque é registado e aparece na barra de URL do Chrome. O problema é específico à barra de URL e deve-se provavelmente à quantidade de dados que esta carrega e filtra em segundo plano, mas ainda assim é bastante incómodo e a minha principal queixa em relação ao browser neste momento.

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Na categoria do exigente minucioso, recai a sincronização: no caso específico da sincronização dos separadores abertos noutros dispositivos, é necessário a sincronização global de contas do Android estar ligada para que funcione correctamente. No meu caso (e de muitos outros utilizadores, estou certo), que por preocupações energéticas mantenho esta opção desligada grande parte do tempo, é trabalhoso ter que estar a ligá-la de quando em quando. Muito provavelmente é tecnicamente inevitável e terei apenas que me conformar.

Chrome para Android

O Chrome para Android é o melhor browser mobile que já experimentei para o sistema da Google. Não apelará certamente aos utilizadores mais avançados e exigentes, já que não inclui toda e mais alguma funcionalidade, mas é um browser para as massas e para os milhões de utilizadores Android localizados fora desses obscuros pântanos do root, Clockworkmod, fasboot, recovery e dalvik.

É uma transição suave para dispositivos móveis de um dos navegadores mais utilizados a nível mundial, e que mantém as suas pedras basilares bem definidas: velocidade, simplicidade e ubiquidade. A sincronização de dados é já um pressuposto na Google e, neste caso específico, potencia o Chrome com uma personalização que só apetece congratular com uma palmadinha nas costas e um convite para jantar. Para quem utiliza o Chrome no desktop, é fantástico. Para quem não utiliza, continua a ser uma fantástica opçõa.

Tem o seu quê de problemas, é certo, mas é ainda uma versão Beta daquele que eventualmente se tornará o navegador por omissão, algo amigável e familiar que eleva a experiência da navegação web no Android a todo um novo nível – um nível agradável e aprazível. O Chrome é mais uma adição ao já excelente portefólio de aplicações móveis da Google para Android.

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E, como se não bastasse, o ícone fica mesmo bem ali no Ice Cream Sandwich.

O Google Chrome Beta para Android está disponível no Market para tablets e telemóveis a correrem o Android 4.0. Infelizmente, não é ainda instalável em Portugal, mas o download do ficheiro de instalação pode ser feito aqui.

Este artigo foi escrito por em 26 Fev, 2012, e está arquivado em Análises, Dicas. Siga quaisquer respostas a este artigo através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta ou fazer um trackback do seu próprio site.

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