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03/10/2010
Escrito por em Nacional | 2.023 Leituras

Num encontro flash com Paulo Trezentos, o KeroDicas aproveitou para fazer algumas questões acerca do que de melhor se faz, Open Source, e ainda algumas questões sobre acontecimentos da actualidade.

Paulo Trezentos (27 de Outubro de 1976 -) é um informático e dá aulas de Arquitecturas de Computadores e Sistemas Operativos no ISCTE, é investigador na ADETTI, um centro de investigação do ISCTE português responsável pela criação do Linux Caixa Mágica, a principal distribuição Linux portuguesa. É também autor de um pacote de quatro publicações, cronista e membro da HICOD2000 (departamento de protecção de imagens da ESA). em Wikipédia

kd (KeroDicas): A Microsoft recentemente tem feito algumas declarações relativamente ao Open Source e voltadas para o Linux que têm feito surgir muitas dúvidas sobre o que está a planear ou sobre o porquê da sua actividade no mundo do Open Source. Como comenta?

P. T. (Paulo Trezentos): Acho que há hoje uma percepção do lado dos clientes e do público que o Open Source é um modelo que serve os objectivos do cliente e a Microsoft, como há essa percepção, tenta-se alinhar com o Open Source e começa a beneficiar um pouco dessa boa áurea que tem o Open Source. Acho que é principalmente uma questão de estilo do que propriamente uma questão prática e que tenha impacto no terreno.

kd: Na sua opinião então nada tem a ver com o facto de países a emergir na economia mundial como o Brasil estarem a adoptar políticas em relação ao Open Source muito definidas e que estas medidas por parte da Microsoft sirvam para atingir mais mercado?

P. T.: Acaba por ser isso, ou seja, eles querem abranger mais mercado em alguém que quer ou precisa de Open Source e é uma forma de ir de encontro às expectativas desses países, agora no terreno as pessoas também sabem pois o Open Source tem características como o custo, ser aberto, etc, etc que só por ser da Microsoft não tem de estar noutro modelo. Agora o efeito prático é diminuto.

kd: Sendo que o programa e-escola e o programa e-escolinhas foram uma forma de aumentar a quantidade de pessoas com acesso ao computador em Portugal acha que isso foi, e nomeadamente na inclusão de Linux Caixa Mágica em alguns modelos, uma boa maneira de dar a conhecer o Open Source e o Linux?

P. T.: Eu acho que sim. Acho que todas as iniciativas têm sempre problemas e podemos ver a face má das coisas, mas os computadores e o Linux chegaram a muita gente e muita gente teve acesso à Internet e teve contacto com a tecnologia assim. Tenho a certeza que no próximo programa, na próxima oportunidade ainda vamos fazer melhor, há mais gente que vai utilizar e beneficiar de Linux e hoje em dia temos muitos utilizadores que são utilizadores vindos do programa e-escola e portanto para nós foi muito importante e eu espero que também para os beneficiários do programa E-escola também tenha sido bom.

kd: O Caixa Mágica, com um lançamento recente da versão 15, é conhecido como o Linux português. Espera que no futuro seja mais conhecido no estrangeiro, nomeadamente fazer parte da informatização dos países PALOP e ser mais utilizado no Brasil?

P. T.: Esse é um objectivo e um desejo que nós gostavamos. Sabemos que esses próprios países já têm versões de Linux boas e nós à medida que temos crescido com o apoio de toda a comunidade em Portugal, também sentimos alguma receptividade e oportunidade nesses países nos quais vamos olhando. Neste momento temos feito crescer a comunidade em Portugal, temos feito crescer o Linux em Portugal e esse é o nosso foco e se um dia tivermos essa oportunidade também vamos apontar para fasquias e barreiras mais altas e perseguiremos esse objectivo. Não é para hoje, talvez num futuro a médio prazo.

kd: Falando um pouco mais sobre comparações entre Portugal e o Brasil, como faria uma comparação entre as políticas e a implementação do Open Source e o Linux no Brasil e em Portugal?

P. T.: (sorriso) Estive a semana passada com um argentino que me disse que o Brasil é um caso à parte e eu concordo com ele. O Brasil ao nível de políticas governamentais tem uma estratégia muito clara, tem objectivos a longo prazo e por isso está a ter sucesso na implementação do Open Source. Eu não comparava Portugal com o Brasil porque não era muito bom mas olhando para o que cá fez em Portugal, a administração pública e o governo em algumas áreas tem tido preocupação em campos com a educação, a justiça, etc. Acho que conseguimos fazer melhor mas temos de olhar para o que já foi feito com o actual governo e com os governos anteriores.

kd: A partilha do conhecimento e a cooperação entre pessoas na construção e distribuição de software é algo que é incentivado no Open Source. Como comenta a situação vivida actualmente em relação ao conflito entre sites como o The Pirate Bay e as entidades de direitos de autor?

P. T.: Muitas vezes a lei está um pouco atrasada em relação à sociedade. A sociedade compreende que a duplicação de software é uma coisa razoável, mas a lei não o compreende. Eu acho que há um choque entre o que a sociedade em geral, não eu ou outra pessoa qualquer em particular, mas a sociedade em geral compreende como o que é legal ou ético e o que a lei define. Eu acho que neste momento nós todos como sociedade temos de reflectir, há claramente uma diferença sobre aquilo que é a lei e sobre o que nós, sociedade, estamos dispostos a aceitar e estamos dispostos a achar como legal e como ético.

kd: Ainda numa “visão Open Source” como comenta em relação à neutralidade da Internet, como o caso Google e os seus acordos que têm vindo a ser feitos com ISP’s e que têm abalado a web, fazendo surgir imensas opiniões sobre o assunto.

P. T.: A Internet, hoje, faz parte da nossa vida, do nosso dia-a-dia. Nós não gostaríamos que o nosso ar tivesse diferentes privilégios sociais para um grupo de fornecedores ou para um grupo de pessoas que consomem ar e a Internet hoje para nós é como o ar. Eu acho que a razoabilidade até do próprio Google vai chegar de todos os esforços e de todos os cidadãos que se opõem e que estão a fazer um papel muito importante àquele que nós temos feito no Open Source, nos formatos abertos e com o creative commons que é um papel claro para continuar e para defender e explicar, principalmente, porque que isso é importante não acontecer.

kd: O malware pelos dias que correm é algo que afecta milhões e que gera milhões de dólares/euros de prejuízos. Acha que o Linux neste caso pode ser parte, substancial ou não, da solução desse problema?

P. T.: Certamente. Como sabemos o Linux não sofre desse problema, não é por ter menos ou mais instalações, é pela arquitectura e pelo desenho e é uma das vantagens do Linux tal como outras com o custo, por exemplo. Portanto vamos pegar nessa vantagem e explicar porque é que pode ser uma das vantagens para quem utiliza Linux.

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Este artigo foi escrito por em 03 Out, 2010, e está arquivado em Nacional, Notícias. Siga quaisquer respostas a este artigo através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta ou fazer um trackback do seu próprio site.

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8 comentários em “KeroDicas entrevista … Paulo Trezentos”
  1. precisamos, na minha opinão, de mais adeptos e promotores deste estilo!

  2. Excelente iniciativa e excelente entrevista! Muito bom mesmo :D
    Gostava mesmo de ter estado presento na conferência Linux2010 em Portugal, especialmente tendo em conta a presença da Jane Silber. Quem sabe se não teríamos também não lhe teríamos feito algumas perguntas…?

    • Ivanoel Rodirigues diz:

      Garanto-te que ainda andei a rondar a zona à procura da Jane mas foi uma procura em vão pois ela eclipsou-se de repente.

  3. bom post;) parabens!

    cumps!

  4. É de posts assim que o Kerodicas precisa!

    Muitos parabéns!!!

  5. Bom Post, a pesar de não utilizar o CM, uso Ubuntu, eu tenho o senhor Paulo Trezentos como herói nacional, por ser o promotor do CM…

    Gostei de ler esta entrevista, tenho pena que a informação não flua para todos os portugueses, Open Source é o Caminho para o futuro.

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