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14/12/2010
Escrito por em Análises | 3.342 Leituras

Este é um artigo do João L. para o KeroDicas.com

Na ultima apresentação da Apple intitulada “Back to the Mac”, o tema foi trazer tudo o que a Apple fez no iOS (iPhone e iPad), de volta para o Mac, neste caso para o novo OSX, de nome Lion. Embora muitas novas funcionalidades fossem apresentadas, a que chamou mais a atenção e a que causou mais controvérsia foi a criação da Mac App Store. Uma loja de aplicações feita à imagem da App Store que existe para o iOS e que tanto sucesso teve (7 mil milhões de downloads de apps). As regras da nova App Store são idênticas às regras que já existem para a iOS App Store, em resumo: apps devem seguir um conjunto de regras ditadas pela Apple, as apps são submetidas para a Apple e sujeitas a aprovação, o valor das vendas é dividido 70% para o criador, 30% para a Apple.
Mas o que podemos esperar? Quais são os seus prós e contras? É a algumas destas dúvidas que vamos tentar esclarecer neste artigo.

Criadores Independentes vs Empresariais
Grandes empresas de software muito dificilmente entrarão na nova App Store. Para, por exemplo, a Adobe aceitar colocar o Photoshop na App Store e aceitar um corte de 30% nos lucros de um software que já é bastante usado e conhecido, é uma grande fatia de lucro que seria perdida. Softwares, como é o caso do Photoshop, que têm a sua base de seguidores e que são reconhecidos como softwares de excelência na sua área, ganharão poucos ou nenhuns novos consumidores através da App Store.
Pelo contrário um criador de software independente ou até para pequenas empresas de software a App Store pode trazer a exposição que faltava ao seu produto e um corte de 30% comparado com um enorme potencial de novos clientes é bastante aceitável.
A App Store, tal como acontece com a sua versão para o iOS, potenciou principalmente novos criadores de softwares e a partir dai as grandes empresas começaram a prestar atenção a esse mercado. Software-houses como a Rovio, produtores do grande sucesso Angry Birds, concerteza não tinha tido o mesmo sucesso se não fosse a centralização e exposição que a iOS App Store trouxe. E por isso podemos esperar não tanto as grandes e conhecidas empresas na App Store, mas criadores pequenos e muitos novos criadores.

O local para descobrir Apps
Neste momento o processo de descobrir um novo software é bastante complexo: muitas pesquisas na Internet, muitas leituras de blogs, muitas recomendações de conhecidos. É um processo em geral pobre e disperso. No entanto a App Store pode criar um sitio único onde os utilizadores irão pesquisar as aplicações que pretendem, ver as que são recomendadas por outras pessoas e ver as que estão no top de vendas. No entanto espera-se que não apareçam muitas más apps que surgiram na iOS App Store, tais como as famosas fart-apps.
Pode ser das melhores montras de software que um criador deseja e irá ser dos melhores sítios para descobrir aplicações, não o único, mas dos principais.

Preço é sempre importante.
Sendo uma plataforma online o preço das aplicações vai ser chave para o sucesso da loja. Tipicamente o software para desktop que é pago, é caro, e isso é um obstáculo para as aquisições de software, e daí a pirataria ser um problema. No entanto, existem plataformas de vendas como o Steam e o MacBundles, que são exemplos de sucesso de vendas online e mostram que com uma boa estratégia a pirataria pode ser combatida, como? Com preços baixos, com promoções, com pacotes de software, e a Apple tem muito a melhorar nesses aspecto, veja-se o preço na sua loja de software oficial através do seu site, o jogo Quake 4 custa $49.95 enquanto que na Amazon.com custa $17.77. E para além da pirataria e dos preços altos do software, não esquecer outro advento que matou muito software pago, o grátis. Hoje em dia muitos softwares pagos tem uma “versão” igual ou até melhor, e que é completamente grátis, o que faz os consumidores escolherem a versão grátis.
Mas outro preço não pode ser esquecido, o preço que os criadores pagam para entrar na App Store, este preço pode vir a ser proibitivo para todos os criadores daquelas aplicações grátis que existem na Internet e que fazem parte regular da nossa vida no Mac. Pode-se esperar que poucas dessas aplicações entrem na App Store.
Mas nem só o preço importa ao consumidor, o suporte que é trazido com a aplicação é esperado, pois não é todos os dias que se faz um investimento de $20 ou mais numa aplicação. O cliente vai esperar esse suporte mas nos moldes actuais da loja, o elo criador-cliente é quebrado, e como disse um criador sobre este assunto: “nós não sabemos se os cliente são nossos ou se nós somos apenas criadores para a Apple”.

Fácil gestão de software
Ora, vamos comparar como actualmente se adquire software, com a futura versão da App Store. Actualmente temos: ir ao site, fazer download da aplicação, correr o instalador, percorrer os diversos passos da instalação (para que users estará disponível, que componentes desejamos instalar, etc.), introduzir password para autorizar o instalador, abrir a aplicação, introduzir o número da licença, usar a aplicação. Isto contra: descobrir app na App Store, clicar “Instalar”, fazer o download, usar a aplicação. Podemos não reparar por estarmos tão habituados à primeira maneira, mas como podemos ver a diferença é enorme. E não é só neste processo que a App Store introduz facilidades para o utilizador, a possibilidade de fazer auto-update de todas as apps, de fazer re-download quando quiser, de guardar que apps daquele utilizador tem instalar (comprar um novo Mac nunca será tão fácil, basta instalar os programas da nossa conta no novo Mac e já está).
Controlo, controlo, controlo
Steve Jobs é conhecido por ser um control freak, e a Mac App Store não é diferente de todos os produtos que lançou até hoje. E tal como aconteceu na iOS App Store, a nova loja tem certas regras para as submissões de novo software a ser aceite na loja, regras essas que têm estado no centro da controvérsia quando se fala da nova App Store.
No iOS parece que essas regras foram aceites pacificamente, talvez porque a Apple estava quase que a criar um mercado de raiz não havendo um precedente nessa área. E ambos os utilizadores como os criadores abraçaram as regras pois tinham uma variedade de apps que têm a certeza que funcionam e não poêm o telemóvel em risco algum, ao contrário do que acontece ainda hoje em dia no Android Market Place (a versão da iOS App Store mas para dispositivos Android), onde existem aplicações que não funcionam sequer ou até que conseguem bloquear o telemóvel.
No entanto para o caso de software para Mac, esse mercado já existe, numa versão mais dispersa sim, mas existe, chama-se Internet. E se é previsivel que muitas das apps que existem actualmente migrem para a nova app store, muitas também terão de ficar do lado de fora por causa das regras bastante restritas da mesma.
Regras como não poder haver betas, trials ou demos deixam de fora muitas potenciais aplicações. E se no caso de betas se entende (embora uma das pessoas responsáveis pelo browser Mozilla Firefox tenha dito que ficou preocupado, pois o seu browser passa muito tempo em beta), o caso das trials e demos é um pouco incompreensivel. Software para desktops é tipicamente caro, o que faz das trials e demos a melhor maneira de saber se aquela aplicação faz realmente aquilo que se pretende, sendo a única maneira de experimentar um programa antes de investir definitivamente na sua compra. Se no iOS apps de $2 este facto não importa muito, em aplicações de 20$ ou mais é bastante importante.
A limitação na inovação é outro dos problemas das regras definidas. Ao proibir, por exemplo, mudanças na interface do Mac, ou proibir programas que dupliquem funções já existentes no Mac. Ora muitas das boas aplicações que existem neste momento quebram estas regras: é de esperar que os utilizadores prefiram o iChat à bastante melhor alternativa Adium? Será que Quicksilver pode ser bloqueado por melhorar funcionalidades já existentes no Spotlight? Penso que os utilizadores vão continuar a aderir a esses programas e se não for através da App Store, eles irão encontrá-los onde sempre encontraram, na Internet.

Mas como referimos, todas as aplicações que forem aprovadas segundo as regras actuais têm o “carimbo Apple” e isso é sinónimo de confiança no software.

A Mac App Store foi sem dúvida feita para replicar o sucesso que a sua irmã, a iOS App Store, teve, no entanto são dois mercados completamente distintos que devem ser pensados como tal, e as regras que a Apple impôs para a nova loja têm de mudar drasticamente, ou todos nós perdemos. Perdem os criadores por não exercerem por completo a sua capacidade inovadora e criativa, e perdem os clientes porque vão ficar com um conjunto de aplicações disponíveis na App Store que pouco trazem de inovador e diferente para o seu Mac. Só porque as mesmas regras funcionaram na iOS App Store, não se traduz em sucesso imediato para a Mac App Store, e estas devem ser ponderadas de acordo com a realidade já existente. Senão o que irá acontecer é uma loja cheia de micro-aplicações de $5, que pouco ou nada trazem de inovador.
Mas uma coisa é certa, a Mac App Store tem o potencial para um grande sucesso. Vai ser um mercado com milhões de utilizadores que vai proporcionar muitas opurtunidades de negócio, e talvez num futuro próximo um “Game Center” como acontece para o iOS possa existir para Mac? Quem sabe, esperar para ver, mas de certeza que vai ser um marco bastante importante.

Fica aqui um video com as partes da apresentação da Mac App Store, na ultima conferencia da Apple:

E se quiserem podem visitar o site oficial da App Store AQUI.

Este artigo foi escrito por em 14 Dez, 2010, e está arquivado em Análises, Notícias, Novidades, Outros, Web, Websites. Siga quaisquer respostas a este artigo através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta ou fazer um trackback do seu próprio site.

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6 comentários em “O que a Mac App Store pode mudar!”
  1. GOD ALMIGHTY!!!

    Welcome back :)

    Cumps

  2. Concordo plenamente que a pirataria só pode ser combatida com preços baixos, se as aplicações forem mais baratas os utilizadores pensam duas vezes antes de… ahem… fazer um backup… ahem… da aplicação.

    A facilidade de utilização também é bastante importante, é a fórmula de sucesso da Apple, nomeadamente do iPad e do iPhone, é ligar, instalar e usar.

    Quanto ao sucesso desta loja como disseste é esperar para ver, embora na minha opinião a Mac App Store parece não fazer muito sentido, mas os fãs da marca alinham em tudo o que esta vende.

    Grande artigo.

    Abraço. :)

  3. Mais proteccionismo…

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