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04/05/2012
Escrito por em Mundo | 2.538 Leituras

Enquanto alguns Paulos cantam sobre o que acontecerá depois do adeus, Paul Miller diz o adeus. Para quem revele algum interesse pela Internet e tecnologia, o nome Paul Miller será conhecido: de fama do Engadget e agora do The Verge, Paul escreve editoriais sobre tecnologia, análises tecnológicas e também sobre as últimas notícias do mundo tecnológico. É um jornalista ainda jovem, mas quase uma instituição por si só no mundo da Internet. E a que vas mesmo Paul dizer o adeus? À Internet na sua vida, em todos as suas formas e modos possíveis. Paul Miller, voz de renome no jornalismo tecnológico, vai desligar-se da Internet por um ano. Mas vai manter-se jornalista.

A pergunta que primeiro assoma o leitor é “Porquê?”. Segundo Paul, a Internet invadiu todo os recantos da sua vida nos últimos anos, e muito provavelmente alguns onde ela não pertencia. Sendo alguém que passa mais de 12h/dia ligado à Internet – por vários canais – há vários anos, Paul decidiu que era altura de fazer uma pausa, separar o trigo do joio e iniciar uma catarse na sua vida: distinguir aquilo em que a Internet o beneficia daquilo em que a Internet o prejudica e tentar desenvolver uma vida mais activa fora dos meandros do dotcom.

Esta atitude – que muitos chamarão extremista – pode ser vista quase como uma licença, tirar uma sabática, alienação para a redefinição de prioridades, uma pausa para introspecção e busca pessoal. Ainda que assim seja, há todo um carácter experimental a ela associado. Numa asserção bem pertinente, Paul diz:

Now I’d like to examine what modern technology looks like in a TCP/IP vacuum. Is the internet truly the oxygen of our electronics, or just an important piece?

Agora gostaria de examinar como é a tecnologia moderna num vácuo TCP/IP. É a Internet verdadeiramente o oxigénio da nossa electrónica, ou apenas uma peça importante? Será a Internet tão fulcral no panorama tecnológico actual, que algo sem uma qualquer forma de acesso a ela se revele desinteressante? Paul propõe-se a descobrir e relatar as descobertas. Sim, isto porque durante o ano que pretende estar afastado da Internet ele vai continuar a exercer a sua actividade profissional como jornalista do The Verge. Um jornalista bem à moda antiga, diga-se.

Paul vai continuar a escrever sobre o mundo tecnológico regularmente, colhendo material em revistas, jornais, bibliotecas e conversas com os amigos, continuando igualmente a participar em podcasts e programas televisivos que incidam sobre tecnologia, assim como vai continuar a rumar diariamente à redacção do The Verge, convivendo com os seus colegas imersos na Internet, mas por objecção de consciência impedindo-se de lhes pedir para usar a Internet por si. Vai continuar a escrever os seus artigos, mas entregando-os, veja-se só, numa pen USB para posterior publicação por parte dos seus colegas.

Adicionalmente, vai contribuir com relatórios semanais desta sua ostracização voluntária, transformando em texto a perspectiva de alguém que vive desconectado da Web num meio profissional e familiar que se alimenta do www. E, curiosamente, Paul vai ser pago como normalmente ao longo deste (hipotético) ano de exílio.

O facto de Paul continuar a ser pago e continuar a escrever sobre tecnologia como normalmente retira o carácter de ano sabático a esta decisão e incorpora-lhe um carácter de experimento sociológico bastante curioso e apropositado, e de jogada inteligente para o seu empregador. Claro que o The Verge, uma publicação online que se tem distinguido das restantes pela variedade, originalidade e qualidade do seu conteúdo, pretende lucrar e monetarizar a partir deste experimento: a perspectiva do jornalista tecnológico distanciado da mais disruptiva e importante invenção tecnológica dos últimos anos, a Internet, atrairá concerteza leitores e visitantes ao site. Não são, aliás, as experiências mais radicais e extremistas, descritas auto-biograficamente, que enchem as montras das livrarias hoje em dia?

Paul será frequentemente acompanhado nas suas actividades do dia-a-dia por um membro da equipa de vídeo do Verge e regularmente será produzido material acerca da sua vivência como ávido leitor de publicações impressas, ouvinte de vinis e presença assídua das bibliotecas de New York.

Para assegurar o cumprimento dos termos desta promessa, Paul auto-impôs um regime e uma metodologia bem restrita: cancelou a sua subscrição de Internet em casa, trocou o seu moderno smartphone por um telemóvel raso de há 7 gerações atrás – o tanque de guerra que dá pelo nome de Nokia 3310, genuflexão, por favor -, vai deixar de usar Netflix, VoIP e até mesmo SMS, passa a gerir as suas contas bancárias na instituição bancária e a pagar as suas despesas via transferência/telefone/pessoalmente.

Vai manter o seu Macbook e o seu iPad, ambos totalmente desconectados da web e como métodos principais de comunicação vai usar o diálogo, o correio e o telefone. A partir daqui, Paul passa a ser um jornalista à anos 70. Muda apenas o som de fundo: ao invés do crepitar das pesadas teclas da máquina de escrever, no fundo ouve-se apenas o toque suave no ecrã do seu iPad e os seus pensamentos. O que talvez seja uma calmante lufada de ar fresco, dado o fluxo avassalador de informação e futilidades a que a Internet nos obriga constantemente a atravessar, abalando a nossa capacidade de concentração nas tarefas que a verdadeiramente requerem.

Bem à moda do The Verge (que efectivamente sabe activar e gerir uma comunidade), rapidamente se criou um grupo de apoiantes e críticos à volta da empreitada de Paul. Ora se fazem pequenos clubes de apostas à volta do tempo do seu tempo de resistência, ora se critica a sua ousadia, ora se discutem as possíveis implicações sociológicas de uma experiência destas, ora se enviam as moradas a Paul, que prometeu corresponder-se por cartas de 140 caracteres com quem o desejasse. Aquele meu desejo de infância reprimido de ter um pen friend a passar por um período reflexivo de retiro e isolamento da Internet subiu ao de cima e também eu enviei o meu endereço, na esperança de receber uma carta de 140 caracteres.

Ao ritmo a que progredimos hoje em dia como sociedade, às vezes é útil pararmos para analisar o que ficou para trás, viver o presente e melhor planearmos o que está para vir. Este experimento é, apesar de todas as críticas de extremismo ou estratégia de monetarização, algo necessário aos tempos que vivemos. Estará a nossa dependência na Internet para lá do ponto de não-retorno? O que é viver hoje em dia isolado da mais ubíqua de todas as redes alguma vez construída? Eu revejo-me em algumas das palavras de Paul, na maneira como tento integrar a Internet em demasiados aspectos da minha vida e estou curioso por ler os seus diários de bordo, enquanto vive isolado lá no alto-mar em New York.

Paulo de Carvalho cantava sobre o que viria depois do adeus. Paul Miller diz, no seu primeiro relato posterior ao seu adeus à Internet, que depois do adeus vem uma imensa sensação de alívio, como a de um miúdo no derradeiro toque da campainha no último dia de aulas antes das férias de Verão.

Entretanto, participou na gravação de um podcast e foi imediatando o alvo de uma brincadeira relativa ao recém-anunciado Samsung Galaxy S III, tendo sido desafiado a discernir o verdadeiro do falso no que concerne ao telemóvel da Samsung. 3 dias fora da Internet não lhe retiraram capacidades, e as suas suposições foram todas certeiras.

All I know is that so far I’m loving it são as suas palavras. Caro Paul, duas últimas achegas. Primeiro, fica a saber que a grande percentagem dos fumadores em tratamento tem a primeira recaída aos 4 meses.

Em segundo lugar, Paul, que a Força esteja contigo.

 

 

 

Já que a Internet não vai estar.

Este artigo foi escrito por em 04 Mai, 2012, e está arquivado em Mundo. Siga quaisquer respostas a este artigo através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta ou fazer um trackback do seu próprio site.

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