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02/05/2012
Escrito por em Novidades | 4.057 Leituras

Este fim-de-semana fui a um concerto e tirei algumas fotos com o meu telemóvel. Não que o meu telemóvel seja um marco fotográfico de referência, mas neste tipo de coisas vale mais a recordação do momento do que o número de megapixels ou aperture. Cheguei a casa e pediram-me essas mesmas fotos. O Dropbox faz upload automático das fotos capturadas, pelo que me limitei a copiar o link da pasta e a enviar-lhes directamente do telemóvel, por mensagem instantânea. Interroguei-me se o recém-lançado Google Drive teria algo nestes termos – não tem. A Google com o mui afamado Google Drive oferece um produto unificador, uma fonte de alimentação para todos os seus serviços, com uma forte componente profissional a si aliada. Contudo, a Google esqueceu-se do meu (e do de muito boa gente) fim-de-semana de diversão, música e fotos.

O Google Drive foi apresentado e divulgado como tendo a omnipresença dos ficheiros, o armazenamento seguro e a partilha e colaboração como seus pontos fortes, tudo num estreito diálogo com tudo o que é serviço Google.

Mas, na sua essência, e para quem atentou com um mínimo detalhe no surgir deste Drive, ele é nada mais do que um Google Docs em regime continuado de esteróides. O Drive dá especial relevância ao armazenamento, criação e edição em tempo real de conteúdo – documentos, folhas de cálculo, apresentações -, numa aposta dirigida mais à componente profissional das nossas vidas.

Os vídeos do meu concerto, as fotos do meu grupo de amigos na venue, essas são secundarizadas. Primeiramente, não são automaticamente enviadas para o meu Google Drive a partir do meu telemóvel, requirindo o upload manual.

Convém mencionar que o Google+ permite o upload automático de fotos nas suas apps para Android e iOS, e a subsequente partilha destas com os círculos de amigos que eu deseje. Dois grandes entraves: as fronteiras das partilhas nas redes sociais são muitas vezes confusas e enganadoras, levando a muitos mal-entendidos e partilhas excessivas – demasiados passos já, sabem?; nenhum dos meus amigos usa o Google+ e eles querem ver apenas as fotos, é excessivo obrigá-los a fazer login no site e tudo mais.

Continuando, mesmo fazendo o upload dessas fotos para o Drive, nota-se claramente que este não foi pensado para lidar com este tipo de multimédia. É-me perguntado se quero converter a imagem num documento editável do Google Docs, para activar o reconhecimento de texto OCR e permitir a edição.

Depois de concluir o upload das fotos, tenho que agrupá-las todas numa pasta, que depois posso partilhar com, usando a própria terminologia da Google, colaboradores. As opções de partilha desdobram-se em personalização e, quando finalmente tenho o link da pasta e posso enviá-lo aos meus amigos, sedentos desses prodígios mais da memória que da fotografia, as fotos aparecem-lhes dispostas numa lista básica, integradas num editor de conteúdo, contrastando bem com a atractiva galeria em ecrã-inteiro em que o Dropbox dispõe as fotos, dando total relevância ao conteúdo e relativizando as possibilidades de interacção.

Esses tempos áureos de extremo desktop modding.

É aprazível passar os olhos por um galeria de imagens gerada pelo Dropbox, depois de clicar naquele link único automaticamente gerado pela aplicação; é trabalhoso percorrer todos os passos para conseguir partilhar as fotos no Drive e andar a ajustar a janela e a interface para poder ter um vislumbre desadequado às 20 fotos do concerto a que eu e os meus amigos fomos. Eram só 20 fotos, é assim tão difícil poder partilhá-las numa galeria?

O Google Drive é um produto com excelentes potencialidades e que vai assumir um papel principal na estratégia da Google ao longo dos próximos tempos, como um hub central e omnipresente de todos os nossos dados, com extensibilidade e flexibilidade. Enquanto o foco e a utilidade profissional são inegáveis – e eu vejo-me a tirar partido dele em bastantes situações -, felizmente não me limito a ser um trabalhador/estudante e tenho fins-de-semana de diversão, música e fotos que pretendo partilhar não com os meus colaboradores, mas sim com os meus amigos. A-m-i-g-o-s, gotch’ya Google? Nem tudo o que faço na Internet se resume a analisar dados, escrever relatórios, preparar apresentações. Há alturas em que só quero partilhar umas fotos com o pessoal, e o Drive (ainda) não faz isso decentemente.

O Dropbox percebeu e tem explorado esta dualidade trabalho/lazer desde o início – as pastas partilhadas com revisões, as contas de grupo para o aspecto mais profissional, a pasta pública ou a pasta de fotos para o aspecto mais convivencial -, e o seu produto adapta-se a ambas as situações brilhantemente. As mais recentes actualizações do Dropbox – o assumir a gestão das nossas fotos do telemóvel/câmera, como um mordomo zeloso e conhecedor – revelam que a equipa percebe que há vida para além do Relatório de Contas.xls e Análise Correlacional Pessoa-Custo da Nova Dinâmica Activa Financeira by RH.doc.

Não que o Dropbox e Google Drive sejam competidores directos – não o são e servem intentos diferentes: o Dropbox pretende resolver elegantemente a charada do acesso e da partilha na era digital; o Drive será a longo prazo o maestro da orquestra Google, discreto mas diligente assegurando que as várias classes de instrumentos Google/Web/Mobile se entendem entre si, harmonicamente. Todavia, em alguns aspectos, o Google Drive e o Dropbox sobrepõem-se e esperava-se mais da Google no campo do social e da partilha, dado até o seu esforço recente de impulso à sua rede social, o Google+. O Google Drive ainda sabe de mais a Google Docs.

E é de certo modo incompreensível o porquê da Google não ter apostado mais nas nossas fotos pessoais: apresentando uma solução eficiente e prática como o Dropbox, apelativa ao utilizador, poderia ter acesso aos momentos do meu dia-a-dia e correr sobre ele o seu software de reconhecimento e análise de imagem (motor já aplicado no Google Drive e que, diga-se de passagem, funciona surpreendentemente bem), em busca de padrões que ajudassem a talhar os anúncios que me são exibidos, tornando-os mais pertinentes e mais susceptíveis de um clique. Por exemplo, ao detectar determinada frequentemente determinada marca de roupa nas minhas fotos, poderia dar-me anúncios sobre os seus novos produtos; ao detectar determinado local (até por geolocalização), oferecer-me sugestões sobre sítios a visitar, restaurantes a experimentar… uma míriade de possibilidades que a Google poderia explorar de modo a fomentar o seu principal negócio, o dueto pesquisa&publicidade.

O Google Drive é como o seu patrão: uma presença constante de Seg-Sex a esquecer ao fim-de-semana.

Este artigo foi escrito por em 02 Mai, 2012, e está arquivado em Novidades, Web. Siga quaisquer respostas a este artigo através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta ou fazer um trackback do seu próprio site.

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7 comentários em “Google Drive: A Google esqueceu-se do meu fim-de-semana”
  1. Zé Das Couves diz:

    Não vou comentar a falta de qualidade deste pseudo artigo…
    Não podes simplesmente olhar para o Drive como um produto isolado. Neste momento todos os produtos da google tendem a estar integrados no seu ecossistema. É muito mais favoravel a google que tu faças upload das tuas fotos para o Google+, porque ai eles conseguem estabelecer o teu grafo social. A app do google+ tem a funcionalidade de instant upload tal como o Dropbox. Alem disto, depois do upload consegues editar e retocar as pessoas automaticamente com as ferramentas de edição de imagem contidas no Google+ (o “Creative Kit”). Devido aos mecanismos de partilha integrados no google+ consegues controlar exactamente quem ve as tuas fotos.

    • A Google com o mui afamado Google Drive oferece um produto unificador, uma fonte de alimentação para todos os seus serviços, com uma forte componente profissional a si aliada

      O Google Drive foi apresentado e divulgado como tendo a omnipresença dos ficheiros, o armazenamento seguro e a partilha e colaboração como seus pontos fortes, tudo num estreito diálogo com tudo o que é serviço Google.

      O Google Drive é um produto com excelentes potencialidades e que vai assumir um papel principal na estratégia da Google ao longo dos próximos tempos, como um hub central e omnipresente de todos os nossos dados, com extensibilidade e flexibilidade

      o Drive será a longo prazo o maestro da orquestra Google, discreto mas diligente assegurando que as várias classes de instrumentos Google/Web/Mobile se entendem entre si, harmonicamente

      Eu nunca olhei o Drive como um produto isolado e também mencionei que a app do Google+ tem instant upload como o Dropbox, listando as desvantagens que encontrei nesse método. Este não é o tipo de fotos que quero editar, quero apenas partilhar, de forma indolor e rápida, sublinhando rápida, com os meus amigos. Assim como quero partilhar um documento de um trabalho com um colega de escola sem ter que canalizá-lo por uma rede social (como o Facebook permite), também deveria poder fazê-lo com fotos.

      O Google Drive funciona como o grande agregador dos serviços Google. Não faz sentido eu fazer upload para o Google+, separadamente do Google Drive. Idealmente, o Drive deveria fazer o upload automático e eu poderia aceder a essas fotos a partir do +. As fotos deveriam estar radicadas no Drive e não no Plus, como estão hoje. Faz sentido. Ainda hoje o Google Docs foi actualizado de modo a permitir importar imagens do Google+ para as apresentações. A partir de agora, tudo o que é dado passo a viver no Drive, que abre a porta a todos os outros serviços como fonte de dados.

      No post quero expressar que apesar de a Google estar a forçar o + em tudo o que é utilizador, eu ainda deveria poder partilhar documentos e fotos do Drive agnosticamente sem estar constringido aos limites e imposições do Google+. Partilha rápida, agnóstica, universal e instantânea, adequada ao tipo de conteúdo. É uma grande vantagem do Dropbox que o Google deveria seriamente pensar em copiar – é possível com documentos e deveria sê-lo com fotos e vídeo também.

  2. LOL, já existem Google fan boys? :D Nice!! (a sério!).

    Concordo com tudo o que foi dito pelo Daniel. Estou a utilizar o Google Drive desde início e vou mantê-lo a par da Dropbox. Porém considero a necessidade de uso da rede social do google para se tirar todo o partido da aplicação uma má opção. A falta de opção de partilha de links de ficheiros é mau e desloca o GD da concorrência directa da dropbox.

    Adicionalmente, a drop permite mais opções de partilha dentro da própria pasta dropbox, sem ser necessário aceder à página Web para aceder à função.

    O artigo está bom e cómico. Continua ;)

    Cumps

    • Sim, para não falar dos clientes desktop, são um total desapontamento.

    • Exactamente, tanto o Google Drive como o SkyDrive a nível de funcionalidades na pasta do Google Drive ou Skydrive no sistema operativo ficou atrás, para não dizer muito atrás, do Dropbox, isto porque quando é partilhado uma pasta com outro utilizador, o utilizador que recebe a pasta partilhada apenas poderá vê-la no interface web, mas acredito que tanto o Google Drive como Skydrive vão melhorar neste aspecto nas próximas actualizações…

      Quanto ao artigo está bom!!! Parabéns Daniel.. ;)
      Cumps

  3. Nuno José diz:

    PICASA

  4. Eu acho o fato de te forçar a usar outro serviço do mesmo fornacedor uma tremenda desvantagem. Não interessa o quando os serviços e a interegração do Google é boa, para um sistema que tem um ideal como o do Dropbox não fazer upload de certos arquivos não faz sentido!

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