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22/02/2011
Escrito por em Análises | 6.229 Leituras

O disco rígido é um componente essencial para o funcionamento do computador, para além de disponibilizar espaço de armazenamento para guardar a nossa informação, é responsável pelo rendimento do computador na abertura de programas e ficheiros e também pela memória virtual.

Imagem : Western Digital

É também o funil do sistema, ao conter no seu interior peças mecânicas o seu funcionamento torna-se bastante lento, por norma os restantes componentes (que são electrónicos e mais rápidos) do computador estão sempre a espera que o disco rígido forneça a informação, já existem discos sem componentes mecânicos, os SSD, mas têm um preço por MB quase proibitivo.

Este é o sétimo artigo desta série, cujo propósito é clarificar os leitores no momento da compra de um novo PC, se ainda não o fizeram é recomendável que leiam os artigos anteriores (e também os comentários neles contidos) pois está lá informação que só faz sentido em conjunto:

Como escolher um computador: parte 1, tipo de computador.
Como escolher um computador: parte 2, caixa e fonte de alimentação.
Como escolher um computador: parte 3, placas mãe.
Como escolher um computador: parte 4, processadores.
Como escolher um computador: parte 5, memória RAM.
Como escolher um computador: parte 6, placas gráficas.

Funcionamento do disco rígido.

O disco rígido é formado por um ou mais pratos redondos feitos de alumínio ou vidro, que posteriormente são cobertos com uma camada magnética e polidos até atingirem o brilho de um espelho, estes pratos rodam a altas rotações com a ajuda de um motor, depois temos as cabeças de escrita e leitura que se deslocam também mecanicamente através do diâmetro dos pratos e ainda uma placa electrónica que comanda todas estas operações.

Imagem : Wikipedia

A informação é guardada na camada magnética em código binário, a cabeça de leitura e escrita coloca diferentes cargas magnéticas para diferenciar os 0 dos 1, esta camada magnética está dividida por pistas (tracks) concêntricas que por sua vez estão divididas em sectores (sectors), cada sector é capaz de armazenar um número predefinido de bytes, a quantidade de pistas e sectores é atribuída de fábrica por uma formatação de baixo nível, a posterior formatação do sistema operativo utiliza os sectores e junta-os em grupos conhecidos pelo nome de clusters, dando o tamanho adequado ao respectivo formato de ficheiros, seja FAT, FAT32 ou NTFS.

De referir que há 20 anos os discos saiam de fábrica completamente virgens, a formatação de baixo nível era feita pela pessoa que montava o computador através da BIOS (como tive oportunidade de fazer por várias vezes), tendo para tal o disco rígido uma etiqueta colada no seu exterior com o número de pistas e sectores, bastava um pequeno engano nestas quantidades para transformar discos novos em sucata (coisa que também me aconteceu).

História : O primeiro disco rígido foi criado em 1956 pela IBM, o disco rodava a 1200 RPM tinha uma capacidade de 5 MB e media “1,5 metros de largura e altura e 75 cm de profundidade”.

Tipos de disco rígido.

Imagem : Wikipedia

Os discos rígidos mais usados para PC de escritório são de 3,5″ de tamanho e ligam à placa mãe através de uma interface chamada SATA (do Inglês: Serial Advanced Technology Attachment), têm componentes mecânicos e armazenam magneticamente (como já foi explicado mais acima), nos mais recentes o armazenamento é feito de forma perpendicular o que permite aumentar a capacidade dos mesmos, os pratos rodam a 7200 rpm e para além do espaço de armazenamento propriamente dito têm também um buffer ou cache (espaço donde a informação usada mais recentemente é conservada) que varia entre os 8 e os 64 MB.

O problema destes discos rígidos é que devido aos seus componentes mecânicos a performance deixa bastante a desejar, é um autêntico funil, todos os componentes do computador estão literalmente a espera de que o dito cujo envie a informação, o tempo de acesso aleatório (do Inglês: Random Acess Time) que é o tempo que a cabeça de leitura demora a deslocar-se e encontrar a pista e o sector donde a informação que lhe é solicitada se encontra é demasiado alto.

Este tempo de procura é medido em milissegundos (1 segundo tem 1000 milissegundos) e varia entre os 5 e os 10 ms, pode parecer pouco tempo mas isto multiplicado por milhares de vezes é um problema grave de performance, obviamente que este problema só é visível agora devido a existência da tecnologia SSD.

Imagem : Intel

A SSD (do Inglês: Solid State Drive) é uma nova tecnologia de discos rígidos baseada em memória não volátil, que tem como principal beneficio a total eliminação de componentes mecânicos no disco, a informação é armazenada electricamente dentro de circuitos integrados (chips), não há pratos nem cabeças, a maior vantagem é que o tempo de acesso é inferior a “0,1 milissegundos”, o que na prática elimina todos os problemas de performance mencionados acima, outros benefícios são a eliminação total do ruído e diminuição significativa do consumo energético.

Mas nem tudo são vantagens, para além dos preços excessivamente caros desta tecnologia existem outros problemas, a memória flash na qual estes discos são baseados tem uma quantidade limitada de vezes que pode ser escrita, e a performance diminui ao longo de tempo, no entanto os discos SSD mais actuais e mais caros têm estes problemas minimizados.

De referir também que os sistemas operativos anteriores ao Windows 7 não estão preparados para estes discos, caso desejem usa-los no Vista ou no XP há uma série de opções que têm que ser desligadas manualmente, por exemplo a desfragmentação (nos discos SSD não existe fragmentação de ficheiros) o defrag, o superfetch, o prefetch, o ReadyBoost, etc, isto tudo visa reduzir a quantidade de vezes que são realizadas operações de escrita no disco evitando o desgaste prematuro do mesmo.

Existem ainda os discos rígidos híbridos que misturam estas duas tecnologias, são basicamente discos normais mas que incluem uma quantidade limitada de memória não volátil (como a usada nos SSD) que permite aumentar a performance funcionando como uma espécie de buffer gigante, mas são bastante recentes e por enquanto as marcas ainda não apostaram com força nesta variante.

Qual o disco ideal?

Notem que os os discos rígidos que estão disponíveis no mercado são quase todos iguais, com 7200 rpm e 32 MB de buffer, mas mesmo assim os tempos de acesso variam entre fabricantes e por vezes entre modelos dos mesmos fabricantes, a única maneira de ter a certeza de qual o melhor disco na altura da comprar é lendo os testes realizados por sites e revistas da especialidade, através dos benchmarks é possível ver qual o mais rápido para a nossa utilização.

Dito isto, para os utilizadores com requerimentos mínimos que se limitem a tarefas básicas como Internet, Office, ver vídeos e jogar ocasionalmente basta um disco normal com 7200 rpm e 32 MB de buffer, comprem de marcas fiáveis, por exemplo Western Digital, Seagate ou Samsung, um disco de 500 GB ronda os 40 euros e os de 1 TB rondam os 60 euros.

Imagem : Western Digital

Já os jogadores intensivos e que pretendam fazer algum trabalho profissional ligeiro podem optar por uma solução híbrida ou em alternativa por dois discos rígidos, um SSD para o sistema operativo e aplicações e outro normal (HDD) para armazenamento, a razão para isto é o preço dos SSD de grande capacidade, um SSD de 160 GB anda na casa dos “400 euros”.

Para utilização puramente profissional, leia-se edição de imagem ou vídeo, animação 3D ou CAD/CAM, os discos SSD não são de todo recomendáveis, pela simples razão de que teriam de optar pela configuração anterior, isto é, um disco pequeno SSD para operativo e aplicações e outro maior HDD para armazenamento, mas o problema é que os ficheiros que estas actividades geram têm tamanhos que atingem as centenas de MB, devido ao espaço que ocupam estes ficheiros teriam de ficar no disco convencional o que anularia por completo a vantagem do SSD já que as aplicações teriam de abrir e guardar os ficheiros no disco mais lento.

Imagem : Western Digital

Para estes casos o melhor é optar por discos rígidos normais SATA mas de 10000 rpm, ou então discos com interface SAS (Serial Attached SCSI) com 15000 rpm, notem que é necessário uma placa mãe com esta capacidade ou uma placa de expansão que permita ligar estes discos.

Periféricos.

Para finalizar esta já longa dissertação fica aqui uma pequena palavra para os periféricos, que não estão relacionados com os discos rígidos mas que também não merecem um artigo isolado.

A escolha de um teclado e um rato é bastante pessoal, se nos teclados é o design que pode impulsionar a compra, já nos ratos é o conforto de utilização que fala mais alto, no caso dos profissionais que passem muitas horas seguidas ao computador o processo de escolha do rato muitas vezes passa pela compra e teste de vários até encontrar o mais adequado.

Fica aqui a recomendação para comprarem um pack que engloba teclado e rato, estes conjuntos ficam mais baratos, utilizadores normais podem optar por equipamento sem fios, mas para os profissionais o mais aconselhável é com fios, não há baterias que aguentem milhares de cliques e deslocações do cursor por vários dias seguidos, sei de casos em que as baterias têm que ser substituídas “todos os dias”.

Em relação aos monitores, os preços têm descido bastante nos últimos anos o que permite colocar como patamar mínimo as 20″ em monitores LED, menos do que isto sinceramente não vale a pena, procurem taxas de contraste real mínima de 1000:1 e um máximo de 5 ms de tempo de resposta.

O sistema operativo também não tem nada que saber, como ficou esclarecido no artigo da memória RAM o melhor é optar pela versão de 64 bits do Windows 7.

Este é o último artigo de explicação dos componentes de um PC de escritório, no próximo vamos colocar as mãos na massa e criar uma configuração para um PC de média gama e outra para uma estação de trabalho para profissionais, se ainda tiverem dúvidas usem os comentários.


Este artigo foi escrito por em 22 Fev, 2011, e está arquivado em Análises, Destaques, Novidades. Siga quaisquer respostas a este artigo através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta ou fazer um trackback do seu próprio site.

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18 comentários em “Como escolher um computador: parte 7, disco rígido e periféricos.”
  1. Luis Meleiro diz:

    um final mesmo á altura.. os meus parabens pelo seu trabalho. neste artigo poderia apenas ter falado dos novos discos SSD PCI-express mas tambem ainda são muito recentes, existe pouca oferta e são ainda mais caros que os SSD SATA. de qualquer maneira os 7 artigos estão muito bem feitos e penso que esclarecem qualquer pessoa que deseje montar um PC.

    • Olá Luís, muito obrigado!

      A ideia é que as pessoas tenham uma noção daquilo que estão a comprar, lamentavelmente existem profissionais menos sérios no sector que são capazes de enganar os clientes. :(

      E sim, os SSD PCIe também são uma opção, foi de facto esquecimento da minha parte, e já não estão assim tão caros, um RevoDrive da OCZ com 120 GB pode ser comprado por 300 euros, para o conhecimento dos restantes leitores, estes discos ligam nas slots de expansão PCIe da placa mãe em vez de ligar a tradicional porta SATA.

      Abraço. :)

  2. O Luis Meleiro já disse tudo.

    Parabéns Pedro, bom final. Mas os próximos artigos também serão interessantes… e mais polémicos, mas a ver vamos ih ih ih :D

    Cumps

    • Obrigado Gonçalo! Com que então ainda respiras? jejeje

      Pois, se calhar tens razão, o próximo artigo será mais polémico, a ver vamos se o consigo escrever sem suscitar reacções menos apropriadas a algum fã de um componente em particular. ;)

      Abraço. :)

      • Er… pois… er… mas respirar respiro!! Posso é não ter folgo para tudo o que preciso… A minha ausência, já justificada ao Mastermind Mário, é momentânea – máximo 6 meses – mas é necessária. Meti-me noutra licenciatura e entre trabalho, estudar e o kerodicas.com… lamentávelmente o que terá de sofrer mais será o último (saio de casa antes das 8 e chego às 00.00). Tenho muito apetite de continuar por aqui regularmente… mas não posso/devo. Aliás, estes comments já saiem da box… vou retornar ao meu sacrifício.

        Cumps e desculpa lá qualquer coisinha (não só no kerodicas.com)

  3. este artigo é aquilo a que geralmente se designa por chave de ouro! muito bom trabalho Pedro!

  4. Excelente final desta série de artigos. Quando te referiste a “vamos colocar as mãos na massa e criar uma configuração para um PC de média gama e outra para uma estação de trabalho para profissionais” engloba-se pc para gamer’s em estação de trabalho para profissionais?

    Seria interessante ter diferentes configurações para diferentes tipos carteiras: 700€ / 1000€/ e 1500€ para profissionais :wink:

    • Olá Joel e obrigado!

      Quanto às mãos na massa é assim, quando comecei a escrever estes artigos a ideia era colocar uma única configuração de um PC todo o terreno de 1000 euros, isto é, um PC que serve não só para tarefas básicas mas também para jogos e para profissionais.

      Depois quando acabei este artigo achei que seria bom colocar também uma configuração para uma estação de trabalho, mas ontem quando comecei a dar uma olhadela aos preços cheguei a conclusão de que devia fazer mais uma ou duas configurações.

      Vão ser quatro no total, uma de 1000, outra de 1500, uma estação de 2000, e ainda um mais em conta, entre os 700 e 800, portanto podes fazer conta com isso. ;)

      Abraço. :)

      • Na minha opinião devias ir por aí sim senhor. A ideia do joel é acertada! Apesar dos limiares de preços ser discutível, existe diferentes tipos de consumidores e de carteiras, pelo que a configuração ideal de um pc é mais do que unitária… por isso acho que seria aconselhável/desejável as diferentes estratificações de configurações e preços. :)

        Eu sei que vais fazer um brilharete com esta brincadeira das configurações.

        Cumps

  5. Olá,

    Não foi mencionados os discos raptor, é um disco descontinuado face aos novos SSD ?

    • Olá Luís,

      Foram mencionados mas foi indirectamente e não pelo seu nome, quando falei dos discos a 10000 rotações para estações de trabalho, de referir ainda que a penúltima foto do artigo é precisamente um raptor. ;)

      Para conhecimento geral: os discos Velociraptor são produzidos pela empresa Western Digital e se a memória não me falha são os únicos de 10000 rpm que podem ser ligados a interface SATA, a empresa Seagate produz os discos Cheetah de 10000 e 15000 rpm mas ligam-se a interface SAS.

      E para responder a tua pergunta, não, não estão descontinuados, são a solução ideal para estações de trabalho, a configuração da estação que será apresentada no próximo artigo terá um raptor.

      Abraço. :)

  6. Luis Meleiro diz:

    bem pela qualidade dos artigos podemos deduzir que cada componente vais ser escolhido á lupa 8-O . Agora também temos de ter em atençao que os preços dos componentes variam bastante de loja para loja, mas pelos preços que referiste deve dar para a maioria das lojas. aguarda se então mais um excelente artigo. ja agora Bom trabalho!!! :)

    • Olá Luís,

      Ummmmm… acho que não tenho aqui nenhuma lupa, mas uns binóculos arranjam-se. :-D

      Não tenho maneira de contornar a situação das lojas, é um facto que os preços variam de loja para loja, obviamente a margem de lucro é diferente porque os fornecedores são praticamente os mesmos para toda gente, mas penso que as configurações que vou fornecer estarão na média.

      Abraço. :)

  7. Olá.
    Se vai pronunciar-se sobre confgurações decentes de pcs, sugiro-lhe que aborde também o gasto energético dessas máquinas. Digo isto porque há quem julgue poupar uns trocos numa fonte ou placa gráfica e no fim de cada mês entrega toda essa poupança à EDP.

    • Olá Eduardo,

      De facto tem razão, no artigo das fontes falei levemente nisso quando me referi a taxa de eficiência, quanto menor for a taxa maior energia tem que consumir para poder alimentar o computador.

      Nas configurações que já publiquei coloquei uma fonte com uma taxa acima dos 70%, mas de facto não foi a pensar no consumo de energia mas sim na qualidade da mesma, mas é verdade que quanto mais eficiente também mais poupada é.

      Nas placas gráficas é mais complicado e é o componente que mais energia consome, a única maneira de determinar se existem diferenças de consumo entre placas iguais mas de fabricantes diferentes é fazendo comparativos, mas lamentavelmente não me é possível fazê-lo, mesmo os sites que testam hardware (salvo erro) raramente testam placas gráficas iguais de diferentes fabricantes.

      O que sim é certo é que quanto mais poder de processamento a placa gráfica tiver mais energia consome, este também é outro factor pelo qual não compensa comprar material topo de gama, para além de gastar mais dinheiro na compra também se gasta mais energia, mas penso que o facto de uma placa ser de um fabricante menos conhecido e portanto mais barata não deveria aumentar os consumos.

      Abraço. :)

  8. gostei! :-P

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