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15/03/2011
Escrito por em Análises | 6.364 Leituras

Imagem : Asus

A escolha de um portátil é um processo mais complicado do que a escolha de um PC de secretária, neste último podemos ser nós a seleccionar os componentes e dirigir-nos a loja local mais próxima para fazer a encomenda, com um portátil temos que nos sujeitar (salvo raras excepções) aos modelos já criados pelas marcas.

Dentro das lojas, sobretudo nas grandes superfícies, existe uma imensa quantidade de portáteis disponíveis, lado a lado encontramos produtos em fim de vida (mas que permanecem em exposição até esgotarem os stocks) com produtos novos em folha que muitas vezes têm pouca diferença de preço, já testemunhei casos de portáteis com dois ou três anos de mercado a serem vendidos mais caros que outros novos e com melhores capacidades, o desconhecimento dos compradores contribui fortemente para este tipo de situações.

Os artigos anteriores nos quais explicamos o funcionamento dos componentes são também válidos para os portáteis, mas existem outras considerações adicionais que vamos abordar neste artigo directamente relacionadas com os portáteis, se ainda não os leram aproveitem agora :

Como escolher um computador: parte 1, tipo de computador.

Como escolher um computador: parte 2, caixa e fonte de alimentação.

Como escolher um computador: parte 3, placas mãe.

Como escolher um computador: parte 4, processadores.

Como escolher um computador: parte 5, memória RAM.

Como escolher um computador: parte 6, placas gráficas.

Como escolher um computador: parte 7, disco rígido e periféricos.

Como escolher um computador: Março de 2011.

 

De referir ainda que contrariamente a aquilo que foi feito para os PC de secretária não será possível fornecer configurações específicas, o que sim será explicado são quais os componentes mais actualizados, cabe ao leitor usar esta informação e seleccionar o conjunto que mais se adapte ao seu orçamento e necessidades de entre as “centenas” que estão disponíveis nas lojas, este artigo será também actualizado todos os meses para reflectir as alterações que possam existir.

Tipos de portáteis.

A primeira parte da nossa escolha engloba a selecção do portátil consoante a utilização que lhe queremos dar, podemos dividir os portáteis em três grandes grupos, a saber:

Grupo 1 (portáteis “fixos”): Indicados para substituir os computadores de secretária, tipicamente são os que têm componentes topo de gama, a sua característica principal é a alta performance e a pouca mobilidade, são grandes, pesados, bastante dispendiosos e dado o consumo energético baterias com muito pouca duração (entre 1 e 2 horas), podem realizar com eles edição de vídeo e áudio, jogos intensivos e exigentes, e inclusive trabalho profissional de animação 3D ou CAD/CAM.

Grupo 2 (portáteis): É o grupo mais comum, engloba os portáteis de baixa e média gama e podem substituir um computador de secretária em algumas tarefas específicas, como principal característica temos a sua relação performance/mobilidade, são mais leves, mais baratos e a bateria dá para mais algum tempo (entre 2 e 3 horas), são indicados para realizar tarefas básicas como Internet, criação de documentos, visualização de vídeos etc, só não servem de maneira nenhuma para jogos ou qualquer outro trabalho que exija rendimento gráfico avançado ou elevada capacidade de processamento.

Grupo 3 (ultra portáteis): Este grupo é dedicado inteiramente a mobilidade, tal como o grupo 2 são capazes de substituir um computador de secretária para algumas tarefas específicas, mas a sua principal característica é a mobilidade, são finos, leves e mais dispendiosos que os do grupo 2, mas a vida da bateria pode chegar em alguns casos a mais de 4 horas, indicados também para tarefas básicas com a evidente excepção de jogos ou trabalhos de alto rendimento gráfico ou elevada capacidade de processamento.

Ficam aqui com três vídeos que exemplificam cada um dos grupos mencionados acima:

Tamanho do ecrã.

Imagem : Asus

Depois de determinar qual o grupo no qual se querem inserir o passo seguinte é a escolha do tamanho do monitor, e não é uma escolha trivial, quanto menor for o tamanho do monitor menor será a área de trabalho disponível, o que pode aumentar significativamente a sensação de desconforto em relação a um PC de secretária, têm que escolher um tamanho com o qual se sintam confortáveis, o ideal é escolher o maior tamanho de ecrã possível para cada grupo.

No grupo 1 temos ecrãs com 16, 17 e 18 polegadas, com estes tamanhos é de facto possível realizar algum trabalho profissional avançado, o lado negativo é o maior consumo de energia e o respectivo aumento do peso e tamanho do portátil, a sua envergadura torna muito difícil a sua mobilidade.

O grupo 2 é baseado em ecrãs de 14 e 15 polegadas, o seu tamanho mais reduzido limita bastante o trabalho profissional, do lado positivo temos um menor consumo energético, menor peso, e uma maior mobilidade.

No grupo 3 temos tamanhos de 11, 12 e 13 polegadas, o seu reduzido tamanho e peso e uma bateria generosa fazem deles o instrumento ideal para acompanha-los nas suas incursões fora de casa, o ponto negativo é que a área de trabalho é mesmo limitada e requer alguma habituação.

Memória Ram.

Neste capítulo aplica-se tudo aquilo que já falamos no artigo acerca da memória, basicamente (e se o sistema operativo o permitir) quanto mais melhor, notem que estamos a falar de portáteis e não vale a pena entrar em exageros, os portáteis disponíveis no mercado estão entre os 2 e os 8 GB, tomem os 2 GB como mínimo absoluto e 4 GB como a quantia ideal.

Processador.

Imagem : Asus

Tal e qual como referido na construção do computador de secretária, também nos portáteis a plataforma Sandy Bridge da Intel é a mais recente e a que oferece o melhor rendimento e menor consumo energético, mas estes processadores só estão incluídos nos portáteis mais recentes e mais dispendiosos.

A AMD está agora a entrar com força no segmento móvel (sobretudo na baixa gama) graças a sua nova plataforma chamada Fusion, com uma relação preço/rendimento bastante boa, mas as opções ainda são poucas e até não aparecerem mais testes a estes equipamentos para comprovar a sua eficácia os mesmos não serão aqui recomendados.

Os portáteis mais baratos que estão no mercado ainda estão a usar a antiga geração de processadores da Intel, a Core 2 Duo, e embora sejam eficientes e apresentem um bom rendimento não deixa de ser material em fim de vida, é este factor que proporciona aqueles preços escandalosamente baixos, na casa dos 400€, podem reconhecer estes processadores pela sua nomenclatura, têm uma ou duas letras no inicio seguidas de 4 dígitos, por exemplo: P6000.

Existe a letra “P” a “T” a “L” e ”U”, assim como também a “SU” e “SP” que definem os processadores de baixo consumo energético e também a letra “Q” que identifica os de quatro núcleos, todos eles fazem parte das antigas plataformas Yonah, Merom e Penryn, podem ver uma lista completa de esta série de processadores aqui (são mesmo bastantes), de referir que dada a sua antiguidade não são de maneira nenhuma a opção ideal a considerar.

Depois temos a geração seguinte baseada na plataforma Arrandale (anterior a Sandy Bridge), podem identificar estes processadores também pela sua nomenclatura, começam por “i3”, “i5” ou “i7” e estão seguidos por três dígitos e uma ou duas letras, por exemplo: i3-330M, notem que o i3 é o que têm menor performance, seguido pelo i5 e depois o i7 é o topo de gama.

Esta geração é bem melhor do que os Core 2 Duo, mais performance e menor consumo energético, é encontrada nos portáteis que estão acima dos 600€, podem ver uma lista completa de estes modelos aqui (bem mais reduzida que a anterior), tenham em atenção que esta geração já foi substituída pela plataforma Sandy Bridge, mas ainda existem muitos modelos a venda com estes processadores, se possível também são de evitar.

Finalmente temos então a geração Sandy Bridge, sendo a mais nova ainda não está muito disponível mas já é possível encontra-los em alguns modelos de algumas marcas, também estão identificados com as siglas “i3”, “i5” e “i7”, mas têm agora quatro dígitos em vez de três, por exemplo: i3-2310M, aqui também o i3 é o que tem menor performance, sendo o i5 de média gama e o i7 o topo de gama.

Esta série irá substituindo os anteriores Arrandale, ficando dentro de pouco tempo disponíveis por preços na casa dos 600€ (em princípio ainda neste mês de Março), podem aceder a lista dos modelos Sandy Bridge para portáteis aqui, estes são o alvo, se possível comprar de esta série.

Perante toda esta variedade de modelos existentes o melhor que podem fazer é primeiro ver os preços dos produtos disponíveis nas lojas, apontam as referências e depois verificam nestas listas se estão a comprar um produto actualizado ou não.

Placa gráfica.

Imagem : Asus

As placas gráficas nos portáteis podem ser integradas ou dedicadas, como já falamos no respectivo artigo acerca deste tema as placas dedicadas são sempre melhores, os portáteis mais baratos usam sempre as placas integradas, no caso dos processadores Core 2 Duo a placa é uma Intel GMA 4500 com uma performance sofrível, já a plataforma Arrandale vem com uma Intel GMA HD, a performance não é nada de assombroso mas já permite ver vídeo em alta definição, os novos Sandy Bridge têm no seu interior uma Intel HD 3000, esta última já tem uma performance bastante razoável, para além de permitir vídeo em alta definição permite inclusive desfrutar de jogos com alguma qualidade.

Estas placas integradas permitem que o preço dos portáteis seja bastante baixo, mas algumas marcas também optam por colocar placas dedicadas embora fique algo mais dispendioso, no baixo custo temos a série Radeon 6300M da AMD e a série GeForce 400M da Nvidia, de notar que o rendimento de estas placas dedicadas de entrada de gama é semelhante ao rendimento da placa integrada HD 3000 da Intel existente na plataforma Sandy Bridge.

Já nos portáteis mais dispendiosos temos as séries Radeon 6500M e Radeon 6800M da AMD e as séries Geforce GT 500M e GeForce GTX 400M da Nvidia, que oferecem performance ao nível de um computador de secretária, para quem precisar de uma estação de trabalho móvel a Nvidia fornece vários modelos da sua série Quadro que permitem entre outras coisas animação 3D e trabalho de CAD/CAM, mas a custos bastante avultados e em portáteis por encomenda que não se encontram disponíveis nas lojas.

Os portáteis do grupo 3 podem ainda recorrer a uma tecnologia fornecida pela Nvidia chamada “Optimus”, neste caso os portáteis têm duas placas gráficas, uma integrada e outra dedicada, a tecnologia Optimus encarrega-se automaticamente de mudar entre a integrada e a dedicada consoante a utilização que estivermos a dar ao portátil, por exemplo, se estiverem a escrever um documento usa a placa integrada, mas se estiverem a ver um vídeo em alta definição ou acederem a um jogo o portátil passa a usar a placa dedicada, o propósito é poupar a vida da bateria o que neste segmento dos ultra portáteis é essencial.

Restantes componentes.

Imagem : Asus

Os restantes componentes são semelhantes em todos os portáteis disponíveis no mercado, placas de rede, placas de som, Wi-Fi, Bluetooth, Webcam, portas USB e leitor de cartões, o sistema operativo fornecido por norma é o Windows 7 Home Premium de 32 ou 64 bits.

Os discos rígidos estão entre os 250 e os 750 GB, de referir ainda que tirando os topos de gama do grupo 1 que possuem discos de 7200 RPM (alguns deles híbridos) os restantes não primam pela sua agilidade, sendo na sua grande maioria de 5400 RPM a velocidade deixa algo a desejar, caso seja possível é preferível optar por discos de 7200 RPM, ou melhor ainda se tiverem os bolsos mais fundos optar por discos SSD, para além de serem mais rápidos consomem menos energia.

Momento da escolha.

E perante esta panóplia de componentes a escolha não é tarefa fácil, vamos lá tentar fornecer um guia para vos ajudar:

Para quem quiser comprar um portátil do grupo 1 a melhor opção é um processador i5 ou i7 da plataforma Sandy Bridge, 4 GB ou mais de memória RAM, ecrã de 17 ou 18 polegadas e uma placa gráfica da série AMD Radeon 6800M ou Nvidia GeForce GTX 400M, se pretenderem o portátil para uso profissional e não só jogos podem optar por uma placa gráfica Quadro e ainda um disco rígido SSD, o resultado de este conjunto de componentes é o que se conhece popularmente por “mobile powerhouse”, mas fica bastante caro, dos 1500€ até valores obscenos de 5000€.

No grupo 2 o mais indicado é um processador Sandy Bridge i3 ou i5, 2 ou 4 GB de memória RAM, ecrã de 15 polegadas e placa gráfica da série AMD Radeon 6300M ou Nvidia GeForce 400M, em alternativa podem optar também pela placa integrada Intel HD 3000 já incluída no processador, será suficiente para a grande maioria dos casos, estes portáteis estão entre os 600€ e os 1500€.

No grupo 3 ainda não existem opções disponíveis (salvo erro) com processadores Sandy Bridge, mas podem sempre optar pela antiga plataforma Arrandale e optar pelos i3UM ou i5UM (que são os de baixa voltagem), entre 2 e 4 GB de RAM, ecrã de 12 ou 13 polegadas e placa gráfica com tecnologia Optimus que permita o uso de uma placa dedicada Nvidia GeForce 310M ou 410M, estes portáteis também estão entre os 600€ e os 1000€.

Então e abaixo dos 600€? Para quem têm orçamento limitado e precise mesmo de comprar um portátil terá de optar pelos que têm a tecnologia mais antiga, processadores Core 2 Duo, com ecrãs de 14 ou 15 polegadas, 2 GB de RAM e placa gráfica integrada Intel GMA 4500, não são nenhum exemplo de rapidez mas permitem as tarefas básicas que a maior parte das famílias necessita, documentos, Internet e ver filmes em DVD, leia-se baixa definição, nada de jogos ou trabalho profissional, entre os 400€ e os 600€ conseguem adquirir estes portáteis.

Se ficaram com alguma dúvida podem usar os comentários a vontade, o próximo artigo desta série será dedicado aos “pequenitos”, estou a falar de netbooks e tablets, a não perder.

Este artigo foi escrito por em 15 Mar, 2011, e está arquivado em Análises. Siga quaisquer respostas a este artigo através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta ou fazer um trackback do seu próprio site.

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3 comentários em “Como escolher um portátil : Março de 2011”
  1. Com a experiência que tenho posso dizer que isso não é tão linear assim. Comprei um eeepc 1201n e é super portátil, vai na mochila quando vou pra faculdade e tem o peso de um livro, Consigo trabalhar nele com autocad, arcgis, photoshop, matlab, entre muitos outros programas em que trabalho. Com a ion de 256 ainda dá pra jogar alguns jogos menos exigentes, como League of Legends. Também vejo filmes a 1080p. Já tenho o netbook à 1 ano, e consigo fazer mais que ir à internet e por 400€.

    cumps

  2. Olá cmcl,

    O Asus EeePC 1201N é um netbook e não um portátil, esta categoria só será mencionada no próximo artigo, na altura em que o compraste era topo de gama, mas agora já foi substituído pelo 1215N, que é muito melhor a níveis de performance, de qualquer modo o teu já tem performance suficiente para fazer passar um mau bocado a alguns portáteis dos mais baratos, eu tenho um 1008 HA, por sinal bem mais portátil do que o teu ;), mas também mais fraquinho, que uso todas as vezes que não posso aceder ao meu PC principal.

    Dito isto, o facto de “conseguires” usar esses programas não quer de modo nenhum dizer que esse netbook seja adequado para isso, repara que é bem diferente uma utilização ocasional, ou no teu caso uma utilização mais virada para a aprendizagem, do que uma utilização real, e não estou a dizer isto de maneira a menosprezar as tarefas que tens efectuado no netbook que obviamente serão importantes, mas num ambiente profissional real e produtivo não é sequer viável usar essa máquina para por exemplo trabalhar no Autocad, simplesmente não tem rendimento que chegue, já para não falar do atrofio que é usar uma aplicação CAD num ecrã tão pequeno, acredita, tenho bastantes anos encima (quase 20) de utilização de programas de CAD, de entre os quais o Autocad, como compreenderás não posso de maneira nenhuma recomendar uma coisa que eu sei a partida que não vai funcionar bem.

    Fica atento ao próximo artigo que vai falar dos netbooks. ;)

    Abraço. :)

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