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10/01/2011
Escrito por em Análises | 12.858 Leituras

Imagem: http://www.flickr.com/photos/br1dotcom/

Comprar um novo computador não é tarefa fácil, acompanhar a evolução do Hardware tornou-se uma tarefa muito complicada não só pela velocidade a que o mesmo se desenvolve, mas também porque os fabricantes não usam termos esclarecedores.

É só siglas e nomes código que só são possíveis de perceber para quem está encima do acontecimento, para o comum dos mortais, leia-se os utilizadores que têm poucos conhecimentos, acresce ainda a percepção de que “quanto maior melhor”, o que na realidade não é sempre verdade.

Este artigo foi escrito para o KeroDicas.com por: Pedro Lopes
Cad/Cam Designer e Blogger, editor e fundador do Pmol Blog em www.pmolblog.com.

Este tutorial pretende esclarecer os leitores de maneira a tomarem uma decisão bem fundamentada na sua compra, e talvez o mais importante, levar para casa o melhor e mais adequado computador que podemos adquirir dentro do respectivo orçamento, e não o que acontece normalmente, que é levar um topo de gama para consultar o email e escrever duas cartas anuais no processador de texto.

Notem que o propósito de este tutorial não é fazer a escolha por vocês, mas sim ajuda-los a fazê-la.

Grupos de computadores.

A primeira coisa que temos que definir é o tipo de computador que necessitamos, a performance que irá ser necessária segundo as tarefas que queremos realizar, e também determinar se é necessário ou não a mobilidade do mesmo.

Imagem: Alienware

Podemos dividir os computadores a nível de performance em quatro grandes grupos, entrada de gama, média gama, topo de gama e estações de trabalho, cada grupo tem as suas vantagens e desvantagens, mas o que é necessário é definir a partida em qual nos queremos inserir.

Esta decisão depende em primeiro lugar do orçamento disponível e em segundo lugar das necessidades de performance, os computadores de entrada de gama permitem realizar tarefas básicas, utilização de suites de produtividade (leia-se Office ou OpenOffice), Internet, Email, ver vídeos e ouvir música.

Os computadores de média gama permitem todas as funcionalidades dos de entrada de gama e ainda algum trabalho profissional, como por exemplo edição de imagem e de vídeo ligeira, e obviamente já permite a entrada no mundo dos jogos com alguma qualidade.

Os de topo de gama permitem todas as funcionalidades mencionadas anteriormente e trabalho profissional a sério, como por exemplo Cad/Cam/Cae, edição de áudio, vídeo e imagem, e certamente jogar a sério com o máximo de qualidade.

Já as estações de trabalho, como o próprio nome indica, são especificamente dedicadas a trabalho profissional, os seus componentes permitem processar tarefas de cálculo bastante complexas, este tipo de computadores só se encontra em grandes empresas e muito raramente aparecem no ambiente doméstico.

A nível de orçamento podemos considerar que os computadores de entrada de gama vão até os 500€, os de média gama até os 1000€, os topo de gama até os 2000€, e finalmente as estações de trabalho até os 5000€ ou mais.

O terceiro ponto a definir é a necessidade ou não de mobilidade, os quatro grupos de computadores acima explicados podem ser fixos ou móveis, mas neste capítulo existem outras considerações a ter em conta.

A questão da mobilidade.

Imagem: Asus

Antigamente os portáteis eram bastante dispendiosos, muito mais caros do que os computadores fixos, mas graças a produção em massa e aos (cada vez mais reduzidos) custos da mesma, a realidade actual é outra.

Até há bem poucos anos era necessário comprar computadores fixos para tarefas básicas (os de entrada de gama), mas neste patamar já é possível adquirir um portátil, o que realmente vem facilitar a decisão para utilizadores com baixo orçamento.

Realmente não tem nada que saber, se tiverem um orçamento limitado a melhor opção é comprar um portátil barato de entrada de gama, para além de poderem realizar todas as tarefas básicas pretendidas tem a vantagem adicional de ser um dispositivo móvel.

Se o orçamento for mesmo muito limitado podem enveredar pelo caminho dos netbooks, permitem na mesma as tarefas básicas e a mobilidade, com a única desvantagem de terem um ecrã mais pequeno.

Para quem quer ainda mais mobilidade e facilidade de utilização a opção ideal é um tablet, mas muito sinceramente as únicas duas opções de qualidade no mercado (Apple iPad e Samsung Galaxy Tab) são ainda muito dispendiosas, o que as retira por completo da lista de opções a comprar, pelo menos até não estarem mais baratos ou aparecerem alternativas mais em conta no mercado.

Média gama, alta gama e estações de trabalho.

Nestas três grupos a situação inverte-se, os portáteis com alto rendimento (os netbooks e tablets estão completamente fora da corrida neste segmento) são bastante caros, mais caros que o respectivo equivalente fixo, o que os coloca em segundo plano.

Imagem: Dell

Adicionalmente o limitado tamanho do ecrã num portátil (os maiores têm 18 polegadas) torna incomportável certo tipo de operações, nomeadamente design gráfico, Cad/Cam/Cae, edição 3D e de vídeo, e também nos jogos.

Faz todo o sentido optar por um computador fixo para estes três grupos, não só temos uma melhor relação preço/rendimento, como também temos a possibilidade de actualização de alguns componentes, o que a longo prazo vai permitir alguma poupança.

Se precisarem mesmo de muita performance em mobilidade e não se importarem de usar ecrãs pequenos, terão de se preparar para desembolsar uma avultada quantia por um portátil, penso que estes casos são pontuais e só se aplicam a grandes empresas com profissionais que se deslocam constantemente, para um utilizador convencional não faz sentido nenhum.

Escolher uma loja ou marca.

É também importante saber donde comprar e o que comprar, este tutorial não vai falar de marcas específicas, no entanto é conveniente esclarecer um ponto muito relevante, no caso dos tablets, netbooks e portáteis é de todo recomendável comprar de uma marca reconhecida no mercado.

Imagem: http://www.flickr.com/photos/mastermaq/

Já no caso dos computadores fixos é exactamente o contrário, o mais recomendável é comprar sem marca, leia-se linha branca, por duas razões, a primeira é que na linha branca podemos escolher todos e cada um dos componentes individualmente, e a segunda é que por norma os computadores fixos de marca têm componentes desequilibrados que prejudicam o seu rendimento, nomeadamente ao nível das placas gráficas.

Seguindo este raciocínio é fácil perceber que para dispositivos móveis o mais adequado é recorrer as grandes superfícies, que não serão aqui nomeadas pois são sobejamente conhecidas, e para computadores fixos é melhor recorrer as lojas locais (pequenas, caseiras, ou como quiserem chamar-lhes) da vossa zona geográfica, o ponto importante a reter aqui é que “não é de maneira nenhuma” recomendável comprar computadores fixos em grandes superfícies.

Notem que podem comprar computadores de marca “feitos a medida”, mas tem que ser através das lojas online dos respectivos fabricantes, para além de ficar mais caro o processo de troca de componentes ao abrigo da garantia fica muito mais dificultado, na loja local (linha branca) quem dá a garantia é a própria loja o que na prática é sempre mais rápido e confortável.

Fica aqui aberta uma pequena excepção para estas regras, no caso das estações de trabalho para “funcionalidades críticas” é melhor adquirir um computador fixo de marca, mas comprem-no na mesma numa loja local, vai sair mais caro que a linha branca mas em contrapartida os componentes são testados mais exaustivamente e alguns deles são de melhor qualidade.

Conclusão preliminar.

Como primeira conclusão de este tutorial podemos afirmar que, os interessados em computadores de entrada de gama e com baixo orçamento têm como melhor opção comprar um portátil ou um netbook, os computadores fixos de entrada de gama caíram por completo em desuso, e com alguma lógica.

Imagem: http://www.flickr.com/photos/88548643@N00/

Já no caso da média e alta gama faz todo o sentido optar por um fixo em detrimento do portátil, pela simples razão do custo envolvido, os portáteis que permitem uma performance acima da média são bastante dispendiosos, com a agravante de que o tamanho do ecrã será sempre limitado para certas operações, obviamente se a mobilidade é um requerimento “imprescindível” para o vosso caso em particular, terão mesmo de abrir os cordões a bolsa e optar por aquilo a que se chama “mobile powerhouse”.

Nas próximas partes de este tutorial vamos abordar os componentes principais de um computador fixo, e explicar o seu funcionamento para uma melhor compreensão do que devem ou não devem comprar, e o porquê do “maior é melhor” nem sempre se aplica, falaremos de fontes de alimentação, motherboards, memórias, processadores, discos e placas gráficas.

Os portáteis, netbooks e tablets serão tratados ao pormenor mais a frente, até porque o início de este ano será bastante pródigo em novidades a este respeito, fiquem atentos as restantes partes de este tutorial.

Deixem a vossa opinião nos comentários, alguma vez já levaram para casa um computador com mais capacidade do que aquela que realmente precisavam? Ou foi ao contrário? Não tinham capacidade para as tarefas que queriam realizar?

Este artigo foi escrito por em 10 Jan, 2011, e está arquivado em Análises, Dicas, Hardware, Outros. Siga quaisquer respostas a este artigo através do RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta ou fazer um trackback do seu próprio site.

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28 comentários em “Como escolher um computador: parte 1, tipo de computador.”
  1. Caríssimo Pedro,

    BRAVO!!!!!!!! O artigo está muito bom.
    Permite-me a analogia:
    Nos filmes, existe sempre algum receio quando os filmes têm sequelas e pre-quelas porque, apenas, raramente conseguem adquirir o mesmo brilhantismo do “Original”… Já os teus artigos repartidos permite a extensão da qualidade a várias partes do mesmo assunto. Gosto bastante das divisões que fazes nos artigos particionados porque consegues assim explorar todos os contornos das questões e permanecendo a exposição das mesmas claras e simples.

    Desculpa lá estar a puxar a brasa a minha sardinha… mas ficaste de em 2011 “dar uma decisão”… este artigo quer dizer que a decisão é positiva? :)

    Cumps e keep up the good work

    • Olá Gonçalo,

      Estás a ver mal o filme, LOL, a história é única e não tem sequelas, mas como é muito comprida está cortada as postas para mais fácil deglutição. ;)

      E para ficares descansado a decisão é positiva, está em processo.

      Abraço. :)

      • Sei que pareço suspeito… mas acho que fizeste uma excelente decisão. A equipa do KeroDicas.com só tem a ganhar contigo no staff! Assim como decerto irás sentir que também ganharás com isto :)

        Sê muito bem vindo. E bom ano ;) (pelo menos estás a tomar decisões acertadas) lol.

        Cumps

        • Obrigado pela bem-vinda Gonçalo, o objectivo é mesmo esse, ficarmos todos a ganhar alguma coisa. ;)

          Obrigado também Mário, podemos falar quando quiseres, o André tem o meu endereço de email pessoal. :)

      • Se assim é, bem-vindo desde já! temos de falar….

  2. Po,

    Desprezou nosso R$ “real”!!!!

    • Olá Nilson,

      Nada disso meu caro, desprezo nem pensar, é mais desconhecimento, estando em Portugal desconheço por completo o mercado do Brasil, os preços dos produtos de tecnologia variam muito consoante os países, por exemplo 500 euros compram muito melhor material nos Estados Unidos do que em Portugal.

      É claro que poderia converter os valores em Euros para reais, mas estaria a falar de uma coisa que deconheço, e isso certamente está fora do patamar de qualidade pelo qual eu me guio.

      Seria interessante que a medida que vou escrevendo estes artigos fosses dando o teu feedback acerca dos preços dos produtos no Brasil, se não te importares é claro, agradeço eu e todos os leitores do Brasil que passam pelo Kerodicas.

      Abraço. :)

      • Concordo.

        Tecnologia na Europa é muito³ mais barata que no Brasil, onde há impostos e taxas sobre tudo!

        • A diferença não é apenas em termos de impostos mas também a diferença cambial entre o real/dólar e euro/dólar. Sendo que o euro sai beneficiado em termos comparativos e os produtos externos ficam, relativamente, mais baratos que num país com uma taxa de câmbio mais fraca. Claro que estou só a limitar-me ao caso específico. Porque taxas de câmbio baixas/altas também têm as suas vantagens e desvantagens.

          Cumps

        • Olá Afonso,

          Fica descansado que nos aqui também temos taxas para tudo, entretanto temos que começar a pagar para respirar, LOL.

          Abraço. :)

          • Oi!

            LOL
            Logo vou começar minha faculdade e preciso e um notebook, estou pensando em comprar nos EUA, aqui, os preços para exemplares relativamente rápidos ultrapassa os 4 mil reais! Coisa que custa uns mil dólares.

          • Oi Afonso,

            4000 reais!!! De facto esse preço é um bocadinho exagerado, com esse dinheiro compramos um portátil topo de gama aqui.

            Abraço. :)

  3. Excelente artigo. Aguarda-se pelo seguimento…
    Parabéns e bom trabalho

  4. Tálisson diz:

    Boas pessoal, é a primeira vez que visite este site e gostei bastante desse tutorial..

    estou a pensar montar um pc fixo mas não sei bem onde comprar os componentes.

    alguem sabe me dizer alguma loja fisica onde eu possa comprar componentes de qualidade a um preço assecivel?

    Obrigado pela atenção :-D .

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